Terceiro Setor

Abrace e Centro Universitário do Distrito Federal lançam jogos para conscientizar crianças com câncer

A Abrace e o Centro Universitário do Distrito Federal lançam jogos para conscientizar e entreter crianças com câncer, refletindo a evolução da assistência social no Brasil e o papel das ONGs.

Atualizado em
August 18, 2025
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José Cruz

A Abrace, uma associação dedicada à assistência social de crianças e adolescentes com câncer e doenças hematológicas, lançou recentemente jogos em parceria com o Centro Universitário do Distrito Federal. A iniciativa visa proporcionar diversão e conscientização para crianças em tratamento. A assistência social no Brasil, historicamente ligada à religiosidade cristã, especialmente à Igreja Católica, passou por transformações significativas ao longo dos séculos, evoluindo de um modelo assistencialista para uma abordagem mais política e profissionalizada.

Desde o período colonial, a caridade foi guiada pela Igreja, que administrou hospitais e asilos. Contudo, a partir da segunda metade do século XX, a assistência social começou a se secularizar, incorporando novas lógicas e disputas ideológicas. A Teologia da Libertação, que emergiu nos anos 1960, ampliou o escopo das ações sociais, conectando a assistência a demandas por direitos e promovendo a transição da caridade para a cidadania.

O surgimento das Organizações Não Governamentais (ONGs) na década de 1980 representou um marco importante nesse processo. O termo ONG começou a ser utilizado no Brasil em mil novecentos e oitenta e seis, permitindo a autoidentificação de diversas organizações com objetivos sociais. Muitas ONGs que se destacaram nesse período tinham raízes em experiências ligadas à Igreja, como a Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (FASE) e o Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase).

Nos anos noventa, as ONGs se institucionalizaram e profissionalizaram, estabelecendo parcerias com agências internacionais e o setor privado. Essa evolução trouxe um novo modelo de ativismo, mais focado na eficiência e na intermediação entre Estado, mercado e sociedade civil. No entanto, as últimas décadas também testemunharam um retrocesso, com a ascensão de governos de extrema-direita que desafiam a laicização da assistência social, promovendo discursos religiosos e atacando a legitimidade das ONGs.

A trajetória da assistência social no Brasil é marcada por avanços e retrocessos, refletindo disputas políticas e sociais. A emergência das ONGs como atores centrais na política social representa um ponto alto desse processo, que, embora tenha raízes na Igreja, se desenvolveu de forma autônoma. O futuro da assistência social laica dependerá da capacidade da sociedade de preservar a autonomia desse campo frente a pressões externas.

Iniciativas como a da Abrace são fundamentais para apoiar crianças em tratamento e promover a conscientização sobre a doença. A união da sociedade civil pode fazer a diferença na vida de muitos, incentivando ações que ajudem a garantir direitos e dignidade aos mais vulneráveis. Cada contribuição pode ser um passo importante para transformar realidades e oferecer esperança a quem mais precisa.

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