Impacto Social

Ativistas denunciam violência policial contra dependentes químicos na Cracolândia de São Paulo

Ativistas denunciam abusos e violência policial na Cracolândia, em São Paulo, com abordagens agressivas da Guarda Civil e Polícia Militar, dificultando o acesso a tratamentos de saúde para dependentes químicos.

Atualizado em
May 16, 2025
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Grupo de usuários sob o viaduto Vinte e Cinco de Março: cerca de 50 dependentes foram dispersados para a região — Foto: Edilson Dantas / O Globo

Ativistas e voluntários que atuam na Cracolândia, em São Paulo, têm recebido diversas denúncias de abusos e violência contra dependentes químicos na região. Recentemente, a Rua dos Protestantes, que concentrava muitos usuários de drogas, foi esvaziada, resultando na dispersão dos frequentadores. Embora a diminuição de pessoas na área tenha ocorrido gradativamente nos últimos meses, o esvaziamento brusco começou no último sábado, levantando preocupações sobre a abordagem das forças de segurança.

Relatos de usuários e profissionais de saúde indicam que, nos últimos dias, guardas municipais e policiais militares têm realizado abordagens violentas, incluindo agressões físicas e ameaças. O padre Júlio Lancellotti, conhecido por seu trabalho com a população em situação de rua, confirmou ao GLOBO ter recebido relatos semelhantes. A Guarda Civil Metropolitana (GCM) e a Polícia Militar (PM) têm intensificado as abordagens na região para evitar novas aglomerações de usuários.

Um dos usuários relatou uma abordagem violenta, afirmando que foi agredido por três policiais. Outro depoimento destacou a truculência nas ordens para que os usuários deixassem as calçadas, com agentes chegando a agredir sem aviso prévio. Leonardo Pinho, consultor da Comissão de Drogas e Saúde Mental do Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH), mencionou que muitos usuários desapareceram, dificultando o acompanhamento por parte dos profissionais de saúde.

Marcel Segalla, integrante da A Craco Resiste, criticou a repetição de práticas antigas, como a expulsão de dependentes químicos de determinados locais. Ele comparou a situação atual com a Operação Sufoco de 2012, que também visava dispersar usuários. Segalla ressaltou que essa perda de vínculo entre usuários e profissionais de saúde é prejudicial, especialmente para aqueles que necessitam de tratamento contínuo.

Nos últimos dias, voluntários e dependentes relataram que as abordagens das forças de segurança estão se tornando cada vez mais frequentes. Uma abordagem foi flagrada pela reportagem, onde um grupo de cerca de 20 pessoas foi revistado e dispersado pela guarda. A Prefeitura de São Paulo afirmou que não compactua com condutas inadequadas e que qualquer denúncia deve ser feita às corregedorias das polícias.

A Secretaria de Segurança Pública destacou que as forças de segurança atuam de forma integrada para combater o crime organizado na região. Em meio a essa situação, é fundamental que a sociedade civil se mobilize para apoiar iniciativas que promovam a saúde e o bem-estar dos dependentes químicos, ajudando a reconstruir os laços que foram rompidos e oferecendo suporte a quem mais precisa.

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