Impacto Social

Grupo lança a Eu Decido, primeira associação brasileira em defesa do direito à morte assistida

Foi criada a associação Eu Decido, que defende o direito à morte assistida no Brasil, inspirada em modelos internacionais. Andreas Kisser é um dos fundadores, e a entidade enfrenta desafios legais significativos.

Atualizado em
August 11, 2025
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Andreas Kisser é um dos idealizadores da associação Eu Decido - Ronny Santos - 2.set.23/Folhapress

Um grupo de pesquisadores, juristas, profissionais da saúde, artistas e comunicadores lançou a associação Eu Decido, a primeira do Brasil dedicada ao direito à morte assistida. Inspirada em iniciativas internacionais, como a Derecho a Morir Dignamente, da Espanha, a associação busca promover a discussão sobre o tema no país. Entre os idealizadores está o guitarrista Andreas Kisser, que, após a morte de sua esposa em decorrência de câncer, se tornou um defensor da causa.

Andreas Kisser compartilhou sua experiência, revelando que não tinha conhecimento sobre a possibilidade de recusar tratamentos médicos e a importância dos cuidados paliativos. Ele destacou que, em sua situação, a eutanásia seria uma opção válida, mas não estava disponível. Para fomentar o debate, Kisser criou o Movimento Mãetricia e organiza o Patfest, um festival que arrecada recursos para instituições que oferecem cuidados paliativos em áreas carentes.

A advogada Luciana Dadalto, especialista em bioética e testamento vital, preside a Eu Decido. A associação enfrenta desafios legais significativos, pois a legislação brasileira, especialmente o artigo 122 do Código Penal, criminaliza a assistência ao suicídio. Essa norma não distingue entre casos de sofrimento intolerável e outras situações, dificultando a legalização da morte assistida.

Dadalto enfatiza que a Eu Decido não tem a intenção de facilitar a morte assistida, mas sim de informar a população sobre a luta pelo reconhecimento desse direito. Para avançar nas discussões, a associação formou comissões para dialogar com diferentes setores, incluindo religiões e conselhos de classe da saúde. A presidente acredita que, por se tratar de um direito individual, a conversa pode ser mais fluida do que em temas como o aborto.

Os fundadores da Eu Decido ressaltam que a defesa da morte assistida se aplica apenas a pacientes com doenças graves e incuráveis, que mantêm a capacidade de decisão. A terminologia utilizada pela associação segue a da Federação Mundial de Direito de Morrer, onde "morte assistida" é um termo abrangente que inclui eutanásia e suicídio assistido.

Com o avanço do debate em outros países, como Bélgica e Colômbia, a Eu Decido busca sensibilizar a sociedade sobre a importância do direito à morte assistida. A união em torno dessa causa pode ajudar a garantir que mais pessoas tenham acesso a informações e recursos necessários, promovendo um debate mais amplo sobre dignidade e escolha no final da vida.

Folha de São Paulo
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