Saúde e Ciência

Malária assintomática desafia controle da doença em áreas urbanas da Amazônia, revela pesquisa da USP

Pesquisas do Instituto de Ciências Biomédicas da USP revelam que a malária em áreas urbanas da Amazônia é majoritariamente assintomática, dificultando o diagnóstico e exigindo novas estratégias de vigilância. Estudos em Mâncio Lima e Vila Assis Brasil mostram que métodos moleculares detectam até dez vezes mais infecções que a microscopia, evidenciando a necessidade de ações direcionadas para eliminar a doença no Brasil.

Atualizado em
May 15, 2025
Clock Icon
3
min
Mosquito com longas e finas patas, com longo bico e corpo mais encorpado, lembrando um mosquito da dengue, com um fundo desfocado em cima de uma pele humana - Fonte: USP Imagens

A malária, transmitida por mosquitos do gênero Anopheles, continua a ser um desafio significativo na Amazônia brasileira, especialmente em áreas urbanas como Mâncio Lima e Vila Assis Brasil. Pesquisas do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da Universidade de São Paulo (USP) revelam que a maioria das infecções em contextos de baixa transmissão é assintomática, o que dificulta o diagnóstico e o controle da doença.

Estudos realizados em Mâncio Lima, uma das regiões com maior incidência de malária no Brasil, mostraram que mais de noventa por cento das infecções não apresentam sintomas típicos, como febre ou calafrios. A pesquisa utilizou métodos moleculares, que detectaram até dez vezes mais infecções do que a microscopia, o principal método diagnóstico atualmente utilizado na rede pública.

Marcelo Urbano Ferreira, líder da pesquisa, destaca que a redução da transmissão não implica no fim do problema, pois pode ocultar um reservatório de infecções que ainda sustenta a transmissão local. A busca ativa-reativa, uma estratégia recomendada pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), foi implementada de forma limitada, com visitas a residências de pessoas diagnosticadas, visando testar familiares e vizinhos assintomáticos.

Os resultados indicaram uma redução sustentada dos casos notificados durante o estudo, embora outros fatores também tenham contribuído. A pesquisa também mapeou a diversidade genética dos parasitas, revelando que linhagens circulam entre áreas urbanas e rurais, aumentando o risco de reintrodução da malária em zonas urbanizadas.

Outro estudo focado em Vila Assis Brasil mostrou que, mesmo com a aplicação de larvicidas, a redução das infecções detectadas por métodos moleculares foi menor do que a dos casos clínicos. Isso sugere que a população pode estar tolerando cargas mais altas de parasitas sem desenvolver sintomas, complicando ainda mais a vigilância baseada em sintomas.

Os pesquisadores identificaram que cerca de vinte por cento da população concentra até oitenta por cento das infecções por Plasmodium vivax, um padrão que pode dificultar as estratégias de eliminação da malária. A identificação de indivíduos mais suscetíveis é crucial para o controle da doença. Investir em novas tecnologias de diagnóstico e em ações direcionadas a populações vulneráveis pode ser um passo importante para enfrentar essa situação e ajudar a comunidade a se proteger.

Jornal da USP - Saúde
Quero ajudar

Leia mais

Ministério da Saúde capacita agentes indígenas em Pesqueira para combate ao Aedes aegypti e arboviroses
Saúde e Ciência
Clock Icon
3
min
Ministério da Saúde capacita agentes indígenas em Pesqueira para combate ao Aedes aegypti e arboviroses
News Card

Ministério da Saúde capacita agentes indígenas em Pesqueira, Pernambuco, para combater o Aedes aegypti, com novas vagas para curso de dengue e webinário para disseminar estratégias de prevenção.

Vacina antipólio enfrenta desafios no Brasil após décadas de sucesso na erradicação da doença
Saúde e Ciência
Clock Icon
4
min
Vacina antipólio enfrenta desafios no Brasil após décadas de sucesso na erradicação da doença
News Card

Em 2024, o Brasil substitui a vacina oral contra poliomielite pela injetável, visando aumentar a cobertura vacinal, que está em 70%, e reduzir o risco de mutações do vírus. Essa mudança é uma resposta a preocupações globais sobre a erradicação da doença.

Transplante de rim de porco oferece nova esperança a paciente em estágio terminal de doença renal
Saúde e Ciência
Clock Icon
4
min
Transplante de rim de porco oferece nova esperança a paciente em estágio terminal de doença renal
News Card

Tim Andrews, paciente com doença renal terminal, recebeu um rim de porco geneticamente modificado, resultando em recuperação surpreendente e renovação de esperança. A xenotransplantação pode ser um marco médico.

Pesquisadores da USP revelam tratamento promissor para déficits respiratórios em pacientes com Parkinson
Saúde e Ciência
Clock Icon
4
min
Pesquisadores da USP revelam tratamento promissor para déficits respiratórios em pacientes com Parkinson
News Card

Pesquisadores da USP revelam que a estimulação cerebral pode reverter falhas respiratórias em camundongos com Parkinson. O estudo, publicado na revista iScience, destaca a relação entre problemas respiratórios e a qualidade de vida dos pacientes. A pesquisa, liderada pela professora Ana Carolina Takakura, identificou que as complicações respiratórias ocorrem principalmente durante o sono, afetando cerca de setenta por cento dos pacientes. A estimulação do núcleo tegmental látero-dorsal demonstrou potencial terapêutico, abrindo novas perspectivas para tratamentos futuros.

Brasil enfrenta aumento de mortes por dengue em 2025, com São Paulo concentrando a maioria dos casos
Saúde e Ciência
Clock Icon
4
min
Brasil enfrenta aumento de mortes por dengue em 2025, com São Paulo concentrando a maioria dos casos
News Card

O Brasil registrou 1.003 mortes por dengue até a 20ª semana de 2025, uma queda em relação ao ano anterior, mas ainda alarmante, com São Paulo concentrando a maioria dos casos. A epidemia, impulsionada pelo subtipo dengue tipo 3, revela falhas na assistência à saúde, segundo especialistas.

Crescimento de 63% em exames de glaucoma no SUS revela desigualdade regional alarmante
Saúde e Ciência
Clock Icon
3
min
Crescimento de 63% em exames de glaucoma no SUS revela desigualdade regional alarmante
News Card

Um levantamento do Conselho Brasileiro de Oftalmologia revelou um aumento de 63% nos exames de glaucoma no SUS entre 2019 e 2024, destacando desigualdade regional. O Dia Nacional do Combate ao Glaucoma será celebrado em 26 de maio, com transmissão ao vivo no evento "24 horas pelo glaucoma".