Educação

Professor da USP descobre autismo aos 54 anos e busca tornar diagnósticos mais acessíveis e precoces

Professor André de Carvalho, diretor do ICMC da USP, descobriu seu autismo aos 54 anos e agora desenvolve IA para diagnósticos precoces e adaptações para alunos neurodivergentes.

Atualizado em
April 10, 2025
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Ilustração destaca o cérebro de uma pessoa de perfil e o símbolo colorido do infinito, que representa a neurodiversidade. - Fonte: USP Imagens

O professor André de Carvalho, diretor do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da Universidade de São Paulo (USP), recebeu o diagnóstico de autismo aos 54 anos. Durante sua vida, ele enfrentou desconfortos com barulhos e episódios de shutdowns, que não compreendia. A descoberta ocorreu após uma conversa com sua filha, que sugeriu a avaliação. O diagnóstico trouxe alívio e motivou André a buscar formas de tornar os diagnósticos de autismo mais acessíveis e precoces.

André reflete sobre a importância do diagnóstico precoce, afirmando que a compreensão do autismo facilita o tratamento e a adaptação na escola. O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é multifatorial e se manifesta na infância, com diferentes graus de intensidade. Apesar do aumento no número de diagnósticos, muitos ainda acreditam que o autismo se apresenta apenas em formas mais severas, o que pode desestimular a busca por avaliação.

O desconhecimento sobre o espectro autista é um desafio. André observa que, historicamente, apenas casos mais graves eram diagnosticados, como o personagem do filme "Rain Man". Essa visão limitada contribui para a falta de iniciativas que aprimorem a identificação de casos. Por isso, ele se dedica a desenvolver ferramentas de inteligência artificial (IA) que possam auxiliar no diagnóstico do autismo, utilizando imagens de ressonância magnética funcional.

Além de seu trabalho em IA, André passou a prestar mais atenção na forma como suas aulas são compreendidas pelos alunos, buscando ser mais empático e inclusivo. No ICMC, ele promove adaptações para alunos neurodivergentes, como o uso de abafadores de som e prazos estendidos para entrega de trabalhos. Essas adaptações visam garantir condições equivalentes para todos os estudantes.

A professora Marina Andretta, coordenadora da Comissão de Inclusão e Pertencimento do ICMC, destaca a importância de naturalizar a diferença no ambiente acadêmico. Ela enfatiza que adaptações não são privilégios, mas sim garantias de condições justas para todos. A identificação de alunos autistas que buscam tutoria com docentes também demonstra como a empatia e a compreensão podem fazer a diferença na experiência universitária.

Iniciativas como as de André e Marina são essenciais para promover a inclusão e a compreensão do autismo. A união da sociedade civil pode ser fundamental para apoiar projetos que visem melhorar a identificação e o tratamento do TEA, garantindo que mais pessoas tenham acesso a diagnósticos precoces e a um ambiente educacional mais acolhedor.

Jornal da USP
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