Impacto Social

Regina José Galindo traz a performance ‘Primavera democrática’ ao Rio e denuncia a violência contra mulheres

Regina José Galindo, artista guatemalteca, apresentou a performance "Primavera democrática" no Rio de Janeiro, abordando a violência e a falência da democracia na Guatemala e no mundo. A exposição na galeria Portas Vilaseca destaca suas obras impactantes até 26 de julho.

Atualizado em
June 23, 2025
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A performance 'Primavera democrática' apresentada a Praça da Harmonia, no Rio — Foto: Daniel Ramalho

Na manhã de outono, a artista visual guatemalteca Regina José Galindo apresentou sua performance "Primavera democrática" na Praça da Harmonia, no Rio de Janeiro. Durante a ação, que durou cerca de uma hora, Galindo, completamente nua, foi cercada por dois coveiros que colocaram 200 buquês de flores ao seu redor. Após permanecer impassível por 20 minutos, a artista se levantou, deixando a silhueta de seu corpo impressa no chão. Essa performance inédita ocorreu no dia 3 de junho e faz parte de sua primeira exposição individual na cidade, que ficará em cartaz até 26 de julho na galeria Portas Vilaseca.

A mostra reúne algumas das performances mais emblemáticas de Galindo, que já foi premiada com um Leão de Ouro na 51ª Bienal de Veneza. A artista destaca que "Primavera democrática" denuncia a ideia de democracia que, segundo ela, já nasceu morta na Guatemala e em outras partes do mundo. Galindo enfatiza que não se pode falar em liberdade quando a vida das populações é marcada por violências, citando o aumento dos crimes contra mulheres, inclusive no Brasil.

Regina, que cresceu em meio à guerra civil na Guatemala, carrega memórias da militarização e da naturalização da barbárie. Ela se recorda de corpos nas ruas e do clima de repressão em sua casa, o que a levou a se rebelar, escrevendo um livro de poemas em 1998. Desde então, a performance se tornou sua forma de expressão artística, permitindo que ela transformasse suas experiências em imagens que denunciam violências e regimes antidemocráticos.

A curadora da exposição, Daniela Labra, ressalta que Galindo dá continuidade ao trabalho de artistas latino-americanos com forte teor político, como Tania Bruguera e Teresa Margolles. As performances de Galindo, que muitas vezes envolvem riscos físicos, têm como objetivo denunciar sistemas de poder. Em "Perra", por exemplo, a artista usou uma faca para escrever a palavra que dá título à obra em sua própria perna, abordando a tortura de corpos femininos na Guatemala.

Além de suas performances impactantes, Regina também se conecta com artistas brasileiros, como Lygia Clark e Paulo Nazareth. Durante sua passagem pelo Rio, ela visitou a artista Panmela Castro, com quem encontrou afinidade em suas abordagens artísticas. Galindo acredita que as questões que aborda são universais e que, em tempos de crise, a arte pode ser uma forma de resistência e luta.

Regina José Galindo afirma que, em um mundo marcado por guerras e genocídios, a produção artística deve ser cada vez mais intensa. Ela convoca os artistas a se tornarem bastiões de luta. Nesse contexto, a união da sociedade civil pode ser fundamental para apoiar iniciativas que promovam a arte e a cultura, ajudando a dar voz a quem mais precisa e a fortalecer a luta por direitos humanos e justiça social.

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