Impacto Social

Trabalho no sistema penitenciário brasileiro: uma oportunidade de reinserção social para detentos

Apenas 29,3% dos detentos no Brasil participam de projetos de trabalho, mas Gabrielli Teixeira de Sá, ex-detenta, se destacou como gerente de loja após o Projeto Reeducandos, que visa a reinserção social.

Atualizado em
May 26, 2025
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Gabrielli trabalha no Comper de Campo Grande (MS) — Foto: Divulgação/Grupo Pereira

O Brasil possui a terceira maior população carcerária do mundo, com mais de 850 mil detentos, conforme dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC). O sistema penitenciário brasileiro, há quarenta anos, implementa a oferta de trabalho como uma política de reinserção social. Atualmente, 87,6% das prisões no país oferecem atividades laborais, que podem ter fins terapêuticos ou não. No entanto, apenas 29,3% dos detentos participam de projetos laborais, e quase 48,4% dessas atividades ocorrem em serviços internos, limitando a experiência de trabalho fora das celas.

No último sábado, 24 de maio, comemorou-se o Dia do Detento. Gabrielli Teixeira de Sá, uma ex-detenta, é um exemplo de sucesso nesse contexto. Após cumprir treze anos em regime fechado por tráfico de drogas, ela se tornou gerente de uma loja da rede de supermercados Comper em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Sua trajetória foi impulsionada pelo Projeto Reeducandos, que visa capacitar detentos e facilitar seu acesso ao mercado de trabalho.

O Projeto Reeducandos, criado em 2019 pelo Grupo Pereira, atende detentos dos regimes fechado, semiaberto e aberto em Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e no Distrito Federal. Os participantes têm a oportunidade de trabalhar em oficinas de reparo de carrinhos de compras ou nas lojas do grupo, recebendo alimentação, uniforme e transporte. Além disso, recebem um salário mínimo, sem descontos, e podem ter aumento salarial por desempenho, além de redução de pena.

Gabrielli foi encaminhada ao projeto pelo Conselho da Comunidade do MS, que atua na execução penal. Ela começou como florista enquanto ainda estava no regime semiaberto e foi efetivada após conseguir liberdade condicional. Em suas palavras, ela viu no programa uma chance de desenvolvimento pessoal e capacitação técnica. "Quando a gente fica preso, acabamos perdendo muito da vida", afirma Gabrielli, que expressa gratidão pela oportunidade de ser confiada para um cargo de gerência.

O diretor de Gente e Gestão do Grupo Pereira, Paulo Nogueira, destaca que o Reeducandos busca mudar a realidade dos detentos no Brasil. Ele se orgulha da boa reputação do projeto entre funcionários e clientes, afirmando que todos são tratados de forma igualitária. A iniciativa reflete uma crença na capacidade de transformação das pessoas, promovendo a reintegração social e a dignidade.

Iniciativas como o Projeto Reeducandos são fundamentais para a reinserção social de detentos e merecem apoio da sociedade civil. A união em torno de projetos que promovem a capacitação e a inclusão pode fazer uma diferença significativa na vida de muitos que buscam uma nova chance. O fortalecimento dessas ações pode contribuir para um futuro mais justo e igualitário.

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