O Brasil atinge a meta de um profissional de atenção primária para cada 3.500 habitantes, mas enfrenta uma rotatividade média de 33,9%, comprometendo a continuidade do cuidado. O painel do FGV IBRE revela que estados com menor PIB per capita, como Maranhão e Amapá, têm os maiores índices de evasão, enquanto regiões mais ricas retêm melhor seus profissionais.

O Brasil atingiu a meta de um profissional de atenção primária para cada três mil e quinhentos habitantes, conforme dados do painel do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV IBRE). Apesar desse avanço, a alta rotatividade de médicos e profissionais de saúde, que alcançou uma média de trinta e três vírgula nove por cento entre 2022 e 2024, compromete a continuidade do cuidado. Essa situação é preocupante, especialmente em regiões vulneráveis, onde a relação entre profissionais e pacientes é essencial para um atendimento eficaz.
O relatório revela que setenta e oito por cento das regiões de saúde também cumprem a meta de um agente comunitário de saúde para cada setecentos e cinquenta habitantes. Os dados foram coletados de diversas fontes, como o Sistema de Informações Hospitalares e o Sistema de Vigilância de Fatores de Risco. A análise mostra que estados com menor Produto Interno Bruto (PIB) per capita, como Maranhão e Paraíba, apresentam os maiores índices de saída de profissionais, enquanto estados com PIBs mais altos, como São Paulo e Rio de Janeiro, conseguem reter suas equipes com mais eficácia.
As disparidades na presença de médicos na atenção primária são notáveis. Santa Catarina, por exemplo, possui três vírgula quinze médicos para cada três mil e quinhentos habitantes, enquanto o Distrito Federal tem apenas um vírgula dois. O Amapá destaca-se com a maior rotatividade de médicos, com quarenta e oito vírgula zero seis por cento, enquanto o Distrito Federal apresenta a menor, com vinte e nove vírgula vinte e três por cento.
A análise também aponta uma correlação significativa entre a rotatividade médica e o PIB municipal de 2021. Regiões com menor desenvolvimento econômico tendem a ter maior evasão de profissionais. A Dra. Marcella Abunahman, médica de família e comunidade, enfatiza que a continuidade no cuidado é fundamental para o acompanhamento de doenças crônicas e que a rotatividade fragiliza esses vínculos essenciais.
Embora existam programas federais e estaduais para fixação de profissionais na atenção primária, como o Programa Mais Médicos e o Programa de Valorização do Profissional da Atenção Básica, a permanência nas equipes ainda é um desafio. A remuneração e a instabilidade contratual são fatores que dificultam a retenção. A Dra. Marcella destaca que ações como auxílio-moradia e planos de carreira podem ser diferenciais importantes para incentivar a permanência dos profissionais nas unidades de saúde.
O fortalecimento da atenção primária é crucial para a sustentabilidade do Sistema Único de Saúde (SUS) e para a efetividade do cuidado em todo o país. A iniciativa da FGV e da Umane, ao fornecer dados robustos, pode inspirar novas gerações de médicos a enxergarem a atenção primária como uma escolha profissional relevante. Nessa situação, a união da sociedade pode ser um fator decisivo para apoiar iniciativas que promovam a valorização e a permanência de profissionais na saúde, garantindo um atendimento de qualidade para todos.

Projeto de Lei 294/25 cria Programa Nacional de Apoio às Pessoas com Esclerose Múltipla. A proposta reconhece a doença como deficiência e visa garantir acesso a tratamentos e reabilitação. O deputado Pezenti (MDB-SC) destaca a importância de políticas públicas para apoiar pacientes. A análise do projeto ocorrerá nas comissões pertinentes antes da votação final.

Estudo do Programa Genomas Brasil, financiado pelo Ministério da Saúde, revelou 8 milhões de variantes genéticas inéditas, com foco em doenças cardíacas e metabólicas. A pesquisa, que envolveu mais de 2,7 mil brasileiros, destaca a diversidade genética do país e pode transformar políticas de saúde pública.

O Brasil enfrenta uma "epidemia silenciosa" com a venda de 219 milhões de antimicrobianos em 2023, superando os níveis pré-pandemia, alertando para a resistência bacteriana. O Conselho Federal de Farmácia (CFF) destaca a urgência do uso consciente.

Bella Regina Kupper Gervitz, de 94 anos, faleceu após atendimento inadequado na Prevent Senior, evidenciando a falência do sistema de saúde suplementar e a desumanização no atendimento a idosos.

No Dia do Hospital, Anis Ghattás Mitri Filho ressalta a urgência de políticas públicas robustas e diálogo entre gestores e sociedade para fortalecer os hospitais brasileiros, que enfrentam subfinanciamento e sobrecarga.

Modelo Carol Ribeiro, diagnosticada com esclerose múltipla, destaca a importância do diagnóstico precoce e do tratamento pelo SUS. Após meses de sintomas confusos, como falhas ao caminhar e cansaço extremo, ela finalmente buscou ajuda médica. A esclerose múltipla, uma doença autoimune que afeta o sistema nervoso central, pode ser confundida com outras condições. O tratamento está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), essencial para controlar a progressão da doença.