Impacto Social

Ana Maria Gonçalves celebra reconhecimento de ‘Um Defeito de Cor’ como o melhor livro do século 21 no Brasil

Ana Maria Gonçalves, autora de "Um Defeito de Cor", foi eleita o melhor livro da literatura brasileira do século 21 e se candidatou à Academia Brasileira de Letras, podendo fazer história como a primeira mulher negra a ingressar na instituição.

Atualizado em
June 9, 2025
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Obra de Rosana Paulino ilustra a nova edição de luxo de "Um Defeito de Cor" publicada pela Record em 2022 - Rosana Paulino/Divulgação

Recentemente, a escritora Ana Maria Gonçalves foi reconhecida como a autora do melhor livro da literatura brasileira do século 21, segundo uma votação da Folha com a participação de 101 especialistas. Seu romance, Um Defeito de Cor, lançado em 2006, recebeu 48 votos, superando o segundo colocado por 13 votos. A autora, que se mudou de São Paulo para o Rio de Janeiro, expressou sua alegria ao receber a notícia durante uma entrevista, destacando o impacto de sua obra na cultura brasileira.

Gonçalves mencionou que a saga da escravizada Kehinde, protagonista de seu livro, tem gerado grande interesse, inspirando exposições de arte, pesquisas acadêmicas e até enredos de escolas de samba. O desfile da Portela em 2024, que homenageou a obra, esgotou os exemplares do livro, evidenciando sua relevância na cultura popular. Com 180 mil cópias vendidas, Um Defeito de Cor se tornou um raro best-seller de quase mil páginas.

A escritora também comentou sobre as mudanças no mercado editorial e a crescente valorização de narrativas diversas. Ela afirmou que, há anos, não acreditava que um livro como o seu pudesse estar no topo de uma lista de melhores da literatura brasileira. Gonçalves defende que sua obra deve ser reconhecida como parte da história do Brasil, não apenas como literatura negra, e busca um espaço que historicamente foi dominado por escritores homens brancos.

Em relação à importância do Carnaval, Gonçalves destacou o caráter pedagógico do samba e como as letras de samba-enredo podem ensinar sobre a história do Brasil. Ela observou que a inclusão de sua obra nesse contexto cultural é uma forma de alcançar um público que muitas vezes está afastado da literatura. O desfile da Portela foi um marco, com a autora participando ativamente e promovendo um clube de leitura na quadra da escola.

Gonçalves também abordou a questão da representação racial na literatura, afirmando que, embora tenha havido avanços, ainda há um longo caminho a percorrer. Ela criticou a homogeneidade das narrativas anteriores e enfatizou a necessidade de personagens mais complexos e humanos, que não sejam definidos apenas por suas identidades raciais. A autora expressou seu desejo de que a crítica literária no Brasil evolua, permitindo um debate mais aberto e sincero sobre as obras de escritores negros.

Por fim, a escritora se candidatou à Academia Brasileira de Letras, podendo se tornar a primeira mulher negra a ingressar na instituição. Gonçalves acredita que todos os espaços culturais devem ser disputados, pois eles moldam a narrativa e a identidade da sociedade. Em um momento em que a literatura negra ganha destaque, é fundamental que a sociedade civil se una para apoiar iniciativas que promovam a diversidade e a inclusão na cultura.

Folha de São Paulo
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