A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) denunciou o PDL 717, que suspende normas de proteção territorial indígena, ao Senado e à ONU, alertando sobre graves retrocessos e riscos à segurança jurídica.

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) enviou um comunicado à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) e à Organização das Nações Unidas (ONU) em relação ao Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 717, que suspende normas essenciais para a proteção dos direitos territoriais indígenas. O PDL, aprovado recentemente no Senado, visa revogar decretos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que garantem a demarcação de terras indígenas em Santa Catarina, representando um retrocesso significativo para os direitos dos povos indígenas.
O projeto, apresentado pelo senador Esperidião Amin (PP-SC), busca sustar o artigo 2º do Decreto nº 1.775/1996, que regulamenta o processo administrativo de demarcação de terras indígenas no Brasil. A APIB alerta que essa iniciativa ameaça demarcações já homologadas, colocando em risco a segurança jurídica de diversas comunidades indígenas em todo o país. A entidade destaca que a interpretação da Lei do Marco Temporal, sancionada em outubro do ano passado, limita o direito à demarcação às comunidades que comprovem ocupação tradicional até cinco de outubro de mil novecentos e oitenta e oito.
A constitucionalidade da Lei do Marco Temporal está sendo questionada no Supremo Tribunal Federal (STF), onde já foram apresentadas ações diretas. Em 2023, o STF declarou a tese do marco temporal inconstitucional, mas a norma continua em vigor, resultando em retrocessos e violações dos direitos territoriais dos povos indígenas, conforme alerta a APIB no documento enviado à ONU.
A APIB também critica a proposta da Câmara de Conciliação instaurada no STF, liderada pelo ministro Gilmar Mendes, considerando-a uma tentativa de retroceder em direitos já reconhecidos. A entidade afirma que a participação nessa instância é ilegítima, pois não há paridade no debate e que a nova legislação deveria ser suspensa por violar a jurisprudência consolidada no país.
Durante a abertura da 24ª Sessão do Fórum Permanente da ONU sobre Questões Indígenas, o secretário-geral António Guterres reafirmou que os direitos dos povos indígenas são inegociáveis. O Relator Especial da ONU, Bernard Duhaime, também criticou o marco temporal em um relatório preliminar, destacando a desconsideração do histórico de expulsões forçadas de comunidades indígenas, especialmente durante a ditadura militar. A APIB lembra que a Corte Interamericana de Direitos Humanos já estabeleceu que a ausência de posse, resultante de expulsão forçada, não deve ser um impedimento para o reconhecimento da propriedade coletiva.
O avanço do PDL 717/2024 e a manutenção do marco temporal não apenas atacam os direitos indígenas, mas também ameaçam a proteção ambiental e os esforços contra a emergência climática. A APIB solicita que as entidades da ONU enviem uma comunicação oficial ao Estado brasileiro, expressando preocupação com o PDL 717/2024 e requisitando informações sobre as medidas adotadas para garantir os direitos dos povos Kaingang e Guarani Mbya. Em situações como essa, a união da sociedade civil pode ser fundamental para apoiar os direitos e a proteção das comunidades indígenas, promovendo ações que garantam um futuro mais justo e sustentável.

Indígenas Kayapó e Panará protestam em Brasília contra a Ferrogrão, destacando a falta de diálogo com autoridades e sua exclusão do Grupo de Trabalho sobre o projeto, que ameaça seus territórios.

Lula destaca a importância do respeito aos direitos indígenas em visita ao Parque Nacional do Xingu, onde cacique Raoni alerta sobre os riscos da exploração de petróleo na Amazônia.

Ibama doa 101 metros cúbicos de madeira apreendida a comunidades indígenas e tradicionais da Paraíba, promovendo desenvolvimento social e melhoria da qualidade de vida. A ação transforma infrações ambientais em recursos para reconstrução de moradias e fortalecimento comunitário.

O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) apresentou a concessão administrativa da Transposição do Rio São Francisco no 9º Fórum Internacional de PPPs na Sérvia, destacando seu modelo inovador para enfrentar desafios climáticos e garantir acesso à água. A proposta envolve uma parceria público-privada com a União e os estados do Rio Grande do Norte, Paraíba, Ceará e Pernambuco, visando soluções sustentáveis e equitativas.

Mulheres indígenas marcham em Brasília, destacando a luta por direitos e territórios no Dia Internacional dos Povos Indígenas. O evento resultou em vetos ao PL da Devastação, reforçando a urgência da defesa ambiental.

No Dia Mundial do Chocolate, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) anunciou a operação de três polos da Rota do Cacau, promovendo desenvolvimento sustentável e valorização do chocolate de origem. Os polos, localizados no Pará, Rondônia e Bahia, visam fortalecer a produção cacaueira e a inclusão social, destacando o cacau como um pilar econômico e cultural essencial.