Saúde e Ciência

Aumento do uso de cigarros eletrônicos entre brasileiros gera preocupação e exige ação das autoridades

Aumento no uso de vapes entre adultos brasileiros gera preocupação. Em 2024, 2,6% da população adulta utiliza esses dispositivos, com alta de 24% em um ano, exigindo fiscalização rigorosa.

Atualizado em
May 30, 2025
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Uso de cigarros eletrônicos tem aumentado no Brasil — Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

O aumento no uso de cigarros eletrônicos no Brasil acende um alerta entre as autoridades de saúde. Em 2024, dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) indicam que 2,6% dos adultos brasileiros, o que equivale a quatro milhões de pessoas, utilizam vapes, representando uma alta de 24% em relação ao ano anterior. Este é o maior percentual desde o início da série histórica em 2019, e a preocupação é ainda maior entre os jovens, que são alvos preferenciais da indústria tabagista.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu, em abril do ano passado, manter a proibição da venda de vapes, que está em vigor desde 2009. Essa resolução proíbe a fabricação, importação, comercialização, distribuição, armazenamento e transporte desses dispositivos, além de qualquer forma de propaganda. No entanto, a venda clandestina persiste, evidenciando a necessidade de uma fiscalização mais rigorosa.

A indústria tabagista tenta apresentar os vapes como uma alternativa menos nociva ao cigarro convencional. Contudo, a Associação Médica Brasileira alerta que a carga de um único dispositivo pode ser equivalente a 20 cigarros tradicionais. O médico João Paulo Becker Lotufo, coordenador do ambulatório antitabágico do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (USP), destaca que os sabores e a ausência de cheiro tornam os vapes mais atraentes, mas também mais perigosos devido à alta concentração de nicotina e a presença de substâncias desconhecidas.

O tabagismo é responsável por cerca de 477 mortes diárias no Brasil, totalizando aproximadamente 174 mil por ano, segundo o Inca. Além disso, o fumo passivo contribui para cerca de 20 mil mortes anuais, resultando em um custo social de R$ 154 bilhões por ano, que inclui despesas médicas e perdas econômicas devido a mortes prematuras. Em 2023, 11,6% da população brasileira se identificou como fumante, uma queda significativa em relação a anos anteriores.

O Brasil é reconhecido por suas políticas eficazes na redução do tabagismo, mas a crescente popularidade dos cigarros eletrônicos pode comprometer essas conquistas. É essencial que as autoridades não apenas estabeleçam legislações rigorosas, mas também implementem ações efetivas para combater a venda clandestina e aumentar a conscientização sobre os riscos associados ao uso de vapes.

Para enfrentar essa situação, é fundamental que a sociedade civil se mobilize em apoio a iniciativas que promovam a saúde pública e a educação sobre os riscos do tabagismo. Projetos que visem conscientizar a população e apoiar as vítimas do tabagismo podem fazer uma diferença significativa na luta contra essa epidemia.

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