Saúde e Ciência

Desigualdade no acesso ao tratamento de câncer de cabeça e pescoço afeta sobrevivência no Brasil

A pesquisa da ACBG Brasil e UFSC revela que a espera por tratamento cirúrgico para câncer de cabeça e pescoço pode chegar a seis meses em algumas regiões do Brasil, destacando desigualdades no acesso à saúde. A falta de profissionais capacitados e recursos adequados compromete a qualidade de vida e a sobrevivência dos pacientes.

Atualizado em
August 18, 2025
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Prédio do Inca no Rio — Foto: Gabriel de Paiva

No Brasil, a localização do paciente influencia diretamente suas chances de tratamento para câncer de cabeça e pescoço. Essa é uma das conclusões de uma pesquisa da Associação Brasileira de Câncer de Cabeça e Pescoço (ACBG Brasil) em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que entrevistou cento e setenta e três profissionais de saúde de diversas regiões. Em estados como Alagoas, Ceará, Paraíba e Tocantins, a espera por tratamento cirúrgico pode chegar a seis meses, enquanto em Minas Gerais e Sergipe, esse tempo é inferior a três meses.

Os dados revelam uma realidade alarmante para quem necessita de diagnóstico, tratamento e reabilitação. As desigualdades regionais, a escassez de profissionais qualificados e os obstáculos do sistema público comprometem a qualidade de vida e a sobrevivência dos pacientes. A experiência de Melissa Medeiros, sobrevivente de câncer de laringe, ilustra essa situação. Ela relata que seu diagnóstico tardio resultou em um tratamento mais invasivo e sequelas permanentes que afetam sua fala, respiração e alimentação.

A pesquisa destaca que a maioria dos pacientes enfrenta longas esperas para a primeira consulta com cirurgiões especializados, muitas vezes quando a doença já está em estágios avançados. Setenta por cento dos cirurgiões entrevistados relataram filas de espera para cirurgias, com um tempo médio que varia de trinta a cento e oitenta dias. Além disso, a espera por radioiodoterapia pode chegar a cento e quatorze dias após a cirurgia de tireoide.

Os profissionais de enfermagem, fonoaudiologia e odontologia, essenciais para a reabilitação, frequentemente não possuem a capacitação necessária para atender pacientes com câncer de cabeça e pescoço. A falta de recursos e a ausência de uma estrutura adequada dificultam o cuidado integral e digno, que inclui desde exames básicos até a disponibilização de próteses e terapias de reabilitação.

Julho foi marcado pela campanha nacional Julho Verde, que abordou a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de cabeça e pescoço. Em agosto, a mobilização continua com o Agosto Branco, focando no câncer de pulmão. Ambas as campanhas ressaltam fatores de risco comuns, como o tabagismo em suas diversas formas. A prevenção de doenças graves como o câncer deve ser um compromisso contínuo, que vai além de campanhas temporárias.

É fundamental que a sociedade se una para garantir que todos tenham acesso a cuidados adequados e no tempo certo. A luta contra a desigualdade no tratamento do câncer é uma responsabilidade coletiva. A união da sociedade pode fazer a diferença na vida de muitos que enfrentam essa doença, promovendo iniciativas que ajudem a garantir um tratamento digno e eficaz para todos.

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