Impacto Social

B3 implementa novas diretrizes para promover diversidade nas lideranças das empresas listadas na Bolsa

A B3 inicia avaliação de medidas para aumentar a diversidade nas lideranças das empresas listadas, exigindo a eleição de ao menos uma mulher ou um representante de grupo minorizado nos conselhos. A iniciativa, aprovada pela Comissão de Valores Mobiliários, visa promover maior representatividade de gênero e racial, embora não seja obrigatória. As empresas devem justificar a ausência de ações de diversidade.

Atualizado em
May 12, 2025
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Menos de 20% das empresas do Ibovespa tem equilíbrio de gênero em cargos de liderança, diz pesquisa - Catarina Pignato/Folhapress

A partir deste mês, a B3, bolsa de valores do Brasil, inicia a avaliação de medidas para aumentar a diversidade nas lideranças das empresas listadas. A iniciativa, aprovada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), visa promover a representatividade de gênero e de grupos historicamente sub-representados em cargos de comando. As empresas deverão adotar o modelo "pratique ou explique", informando se cumprem as exigências ou justificando a ausência de ações no Formulário de Referência, documento que deve ser divulgado anualmente.

Uma das principais metas deste ano é a obrigatoriedade de que as empresas elejam ao menos uma mulher ou um representante de grupo minorizado para seus conselhos de administração ou diretorias estatutárias. Atualmente, menos de vinte por cento das empresas do Ibovespa apresentam equilíbrio de gênero em cargos de liderança, conforme pesquisa realizada pela B3.

Além de promover a diversidade nas lideranças, o anexo estabelece diretrizes para que as companhias incluam metas socioambientais nas políticas de remuneração variável de seus executivos. As políticas de indicação de executivos também deverão considerar critérios de diversidade entre os requisitos formais para a seleção de novos membros.

Embora as novas diretrizes não sejam obrigatórias, a B3 destaca que a não adoção das medidas, desde que justificada, não acarretará sanções. As empresas devem apresentar essas justificativas de forma transparente ao mercado e à sociedade, conforme o modelo "pratique ou explique". Até o dia trinta e um de maio do próximo ano, as empresas deverão confirmar a eleição de uma mulher e de um representante de grupo sub-representado.

Um estudo recente revelou que cinquenta e seis em cada cem companhias com ações negociadas não possuem mulheres na diretoria estatutária, enquanto trinta e sete não têm presença feminina no conselho de administração. A pesquisa também apontou uma forte sub-representação racial, com noventa e oito vírgula seis por cento das empresas sem diretores estatutários pretos.

Para mudar esse cenário, especialistas destacam a importância de medidas intencionais, com metas claras e métricas de acompanhamento. A inclusão de grupos sub-representados requer ajustes nos processos tradicionais de seleção. Projetos que visem a inclusão e a diversidade nas empresas devem ser apoiados pela sociedade civil, pois a união pode fazer a diferença na construção de um ambiente mais justo e igualitário.

Folha de São Paulo
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