Meio Ambiente

BPA: o perigoso bisfenol A presente em plásticos e embalagens que afeta a saúde e gera riscos intergeracionais

Pesquisas recentes revelam que a exposição ao bisfenol A (BPA), presente em plásticos e embalagens, pode causar riscos à saúde e alterações epigenéticas que afetam gerações futuras. Especialistas pedem precauções.

Atualizado em
July 24, 2025
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Dar preferência a recipientes de vidro é uma forma de reduzir exposição ao BPA - Imagem: Getty Images

O bisfenol A (BPA) é um composto químico amplamente utilizado na produção de plásticos e resinas, presente em itens do cotidiano como garrafas plásticas, latas de alimentos e brinquedos. Classificado como um desregulador endócrino, o BPA pode interferir na produção e ação dos hormônios humanos, especialmente os sexuais. A coordenadora da comissão de endocrinologia ambiental da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), Elaine Costa, destaca que o uso massivo de plásticos é uma preocupação crescente.

Quando recipientes plásticos são aquecidos, as ligações químicas podem se romper, liberando BPA nos alimentos. Além disso, o papel térmico, como o das notinhas fiscais, pode permitir a absorção do BPA pela pele, especialmente em trabalhadores que manuseiam esse material com frequência. Estudos indicam que a exposição constante, mesmo em pequenas doses, pode ter efeitos prejudiciais a longo prazo, afetando não apenas os expostos, mas também as gerações futuras.

A ciência ainda não consegue determinar com precisão o nível de exposição ao BPA que representa um risco concreto à saúde humana. Embora não seja ético realizar estudos que dividam pessoas em grupos expostos e não expostos, pesquisas epidemiológicas mostram que populações mais expostas desenvolvem algumas patologias. Em animais, já foram comprovados efeitos como alterações de fertilidade e obesidade.

A estrutura química do BPA é semelhante à do estradiol, o principal hormônio sexual feminino, permitindo que ele se ligue aos mesmos receptores no corpo. Isso pode interferir na ação dos hormônios naturais, causando desequilíbrios hormonais. A professora de ginecologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Márcia Mendonça, ressalta que compostos como o BPA podem afetar o sistema hormonal, levando a problemas como redução da qualidade do esperma e aumento da incidência de anomalias genitais.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece cerca de oitocentos compostos químicos suspeitos de interferir no sistema hormonal, incluindo o BPA. Apesar disso, apenas uma fração foi estudada em profundidade, gerando incertezas sobre os riscos. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) também admite que estudos convencionais indicam efeitos em doses elevadas, mas alguns sugerem que doses menores podem estar associadas a problemas emergentes, como alterações no desenvolvimento neurológico.

Para minimizar a exposição ao BPA, recomenda-se evitar o uso de plásticos para armazenar ou aquecer alimentos, preferindo recipientes de vidro. É importante verificar se brinquedos e utensílios infantis possuem o selo "bisfenol free", embora substitutos como o bisfenol S também possam ter efeitos hormonais semelhantes. A conscientização sobre esses riscos é fundamental, e a união da sociedade pode ajudar a promover iniciativas que busquem soluções mais seguras e eficazes para a saúde pública.

BBC - Brasil Saúde
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