Meio Ambiente

Poluição do ar e mudanças climáticas afetam gestação e saúde infantil, revela estudo da USP

Pesquisadores da FMUSP revelam que a poluição do ar e as mudanças climáticas aumentam riscos de parto prematuro e problemas de saúde a longo prazo em crianças, além de encurtar telômeros em fetos. A pesquisa, que revisou 86 estudos recentes, destaca que a exposição a poluentes compromete a saúde materna e fetal, elevando a chance de complicações como diabetes gestacional e restrição de crescimento intrauterino.

Atualizado em
June 6, 2025
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Médica realizando um ultrassom numa gestante com gravidez avançada. A gestante utiliza calça azul e blusa branca e está com a barriga aparente e as mãos cruzadas acima, e a médica usa jaleco branco e estetoscópio no pescoço e segura o aparelho de ultrassom. - Fonte: USP Imagens

Pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) identificaram que a poluição do ar e as mudanças climáticas têm impactos significativos na saúde materna e fetal. A análise, que revisou oitenta e seis estudos recentes, revelou que esses fatores aumentam os riscos de complicações como parto prematuro e restrição de crescimento fetal. Além disso, a pesquisa sugere que a exposição a poluentes pode resultar em problemas de saúde a longo prazo, como deficiências no neurodesenvolvimento e hipertensão nas crianças.

Mariana Veras, primeira autora do estudo, destacou que a placenta, antes considerada uma barreira eficaz contra poluentes, tem uma capacidade limitada de proteção. Os pesquisadores observaram que a contaminação por dióxido de enxofre (SO2), dióxido de nitrogênio (NO2) e material particulado (MP) está associada a um aumento do risco de diabetes gestacional e complicações hipertensivas durante a gravidez, como a pré-eclâmpsia.

Os dados também indicam que a exposição a esses poluentes aumenta em quinze por cento a chance de ruptura prematura de membranas, o que pode levar a infecções e partos prematuros. A pesquisa encontrou uma forte correlação entre poluição e baixo peso ao nascer, o que pode resultar em problemas de saúde ao longo da vida, como obesidade e diabetes. Além disso, a exposição pré-natal a poluentes está ligada a malformações congênitas e dificuldades no desenvolvimento cognitivo das crianças.

Embora as evidências sobre as mudanças climáticas sejam menos conclusivas, a pesquisa sugere que o aumento da temperatura está associado a um maior risco de parto prematuro e natimortos. A cada aumento de um grau Celsius, a chance de parto prematuro cresce cinco por cento, e durante ondas de calor, esse risco sobe para dezesseis por cento. As temperaturas elevadas também estão ligadas a um aumento nas doenças respiratórias infantis, como asma.

As mulheres grávidas são particularmente vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas, devido a alterações fisiológicas que ocorrem durante a gestação. Isso pode prejudicar sua capacidade de lidar com estressores ambientais, aumentando o risco de problemas de saúde mental, como a depressão pós-parto. A pesquisa também revelou que a exposição a poluentes pode encurtar os telômeros, estruturas que protegem o DNA, indicando um envelhecimento celular acelerado.

Com mais de noventa por cento das mortes relacionadas à poluição do ar ocorrendo em países de baixa e média renda, a pesquisa enfatiza a importância de garantir assistência médica e nutrição adequada para gestantes. Em um cenário de mudanças climáticas e poluição, a união da sociedade civil pode ser fundamental para apoiar iniciativas que visem melhorar a saúde materna e infantil, promovendo um futuro mais saudável para as próximas gerações.

Jornal da USP - Saúde
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