Meio Ambiente

Brasil busca apoio de países amazônicos para fundo de US$ 125 bilhões que remunera conservação florestal

O Brasil busca apoio de países amazônicos para um fundo de US$ 125 bilhões, que será discutido na cúpula da OTCA em Bogotá, visando a conservação das florestas. Lideranças indígenas pedem a interrupção da exploração de petróleo na região.

Atualizado em
August 20, 2025
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Indígena participa de uma conferência no âmbito da OTCA, em Bogotá; povos indígenas, autoridades, organizações da sociedade civil e outros representantes de oito países amazônicos se reunirão na Colômbia para o evento - Raul Arboleda/AFP

O Brasil busca apoio de países amazônicos para um fundo que remunere nações em desenvolvimento pela conservação de florestas. A proposta será discutida na cúpula da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), em Bogotá, onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participará das reuniões. O evento reunirá representantes de oito países amazônicos, incluindo autoridades indígenas e organizações da sociedade civil.

Durante a cúpula, será apresentado o TFFF (Fundo Florestas Tropicais para Sempre), que tem um capital estimado em US$ 125 bilhões. O fundo será oficialmente lançado na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que ocorrerá em novembro, em Belém do Pará. A proposta visa remunerar empresas e países que contribuírem para a preservação de biomas florestais em cerca de setenta nações.

Os países que comprovarem a conservação de suas florestas poderão receber até US$ 4 por hectare. O governo brasileiro destaca que a iniciativa busca garantir o desenvolvimento sustentável das comunidades locais e permitir que os países gerem receitas por meio da preservação. Os recursos arrecadados serão reinvestidos em projetos com maior taxa de retorno, enquanto os investidores receberão seus aportes de volta com lucro.

Em março, representantes do governo brasileiro se reuniram em Londres com bancos e gestores de ativos para avaliar a proposta. A expectativa é que aproximadamente 80% dos fundos venham de fontes privadas, com retorno esperado em um prazo de trinta a quarenta anos. A OTCA, formada pelos signatários do Tratado de Cooperação Amazônica, inclui Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela.

Na quarta-feira, estão programados encontros técnicos da OTCA, seguidos por uma reunião de ministros de Relações Exteriores. Na sexta-feira, o grupo deve aprovar a Carta de Bogotá, que reforçará os compromissos em ações contra o desmatamento e pelo desenvolvimento sustentável da Amazônia. No entanto, uma análise aponta que apenas 4% das ações acordadas na cúpula anterior foram implementadas.

Além disso, lideranças indígenas e especialistas pedem a interrupção da exploração de petróleo na Amazônia, destacando os impactos sociais e ambientais dessa atividade. Eles enfatizam a urgência de regulamentações para uma transição energética justa. Em um cenário onde a preservação da Amazônia é crucial, a união da sociedade civil pode ser fundamental para apoiar iniciativas que promovam a conservação e o desenvolvimento sustentável na região.

Folha de São Paulo
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