Saúde e Ciência

Brasil lança manual técnico inédito para atendimento a indígenas expostos ao mercúrio da mineração ilegal

O Ministério da Saúde lançou um Manual Técnico para atender indígenas expostos ao mercúrio, visando melhorar a saúde nas comunidades afetadas pela mineração ilegal. A publicação, resultado de colaboração com diversas instituições, traz diretrizes práticas para profissionais de saúde, focando na identificação e cuidado de casos de contaminação. A iniciativa é parte de uma nova Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas, com materiais adaptados para línguas indígenas e ações de formação previstas para 2025.

Atualizado em
June 18, 2025
Clock Icon
3
min

O Ministério da Saúde, por meio da Secretaria de Saúde Indígena (Sesai), apresentou o primeiro Manual Técnico de Atendimento a Indígenas Expostos ao Mercúrio. Esta iniciativa resulta de uma colaboração entre pesquisadores, especialistas, lideranças indígenas e órgãos federais, representando um avanço na resposta do Estado brasileiro aos efeitos da mineração ilegal sobre os povos originários. O secretário da Sesai, Weibe Tapeba, destacou que os indígenas são os mais afetados pela presença do garimpo ilegal e do mercúrio em seus territórios.

O manual estabelece diretrizes clínicas e operacionais específicas para o atendimento de indígenas expostos ao mercúrio, sendo a primeira publicação desse tipo no Brasil. Ao contrário de cartilhas informativas anteriores, o documento oferece orientações práticas para as Equipes Multiprofissionais de Saúde Indígena (EMSI) atuarem diretamente nas comunidades. A elaboração do manual levou dois anos e contou com a participação de instituições como a Fiocruz e universidades renomadas.

A exposição ao mercúrio pode causar sérios problemas de saúde, incluindo alterações neurológicas e cognitivas, além de afetar o neurodesenvolvimento infantil. Gestantes e crianças são os grupos mais vulneráveis a esses efeitos. O manual orienta os profissionais de saúde desde a identificação de casos até a notificação nos sistemas de vigilância e o encaminhamento para serviços especializados, promovendo um cuidado integral e qualificado.

Com mil exemplares impressos, a distribuição do manual será feita também de forma digital, acompanhada de ações de sensibilização nas comunidades. Materiais adaptados para línguas indígenas, como Yanomami e Munduruku, estão sendo desenvolvidos. Até agora, profissionais dos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs) já participaram de formações específicas, com cursos de atualização e eventos técnico-científicos programados para 2025.

A iniciativa do Ministério da Saúde é um passo importante para enfrentar os desafios impostos pela mineração ilegal e a contaminação por mercúrio. O manual não apenas fornece diretrizes práticas, mas também reforça a necessidade de um cuidado mais atento e especializado para as populações indígenas, que enfrentam riscos significativos à saúde devido a essa ameaça silenciosa.

É fundamental que a sociedade civil se mobilize para apoiar iniciativas que visem a proteção e a saúde das comunidades indígenas. Projetos que promovam a conscientização e a assistência a essas populações podem fazer uma diferença significativa na luta contra os impactos da mineração ilegal e da contaminação por mercúrio.

Ministério da Saúde
Quero ajudar

Leia mais

Cerca de 20% das internações na saúde do DF são de pacientes de outros estados em busca de atendimento especializado
Saúde e Ciência
Clock Icon
4
min
Cerca de 20% das internações na saúde do DF são de pacientes de outros estados em busca de atendimento especializado
News Card

Em 2024, 30% dos partos na SES-DF foram de mães de outros estados, com Goiás em destaque. O secretário de Saúde, Juracy Lacerda, enfatiza a necessidade de planejamento para atender a demanda crescente.

Câncer colorretal: diagnóstico precoce e prevenção são essenciais para reduzir casos no Distrito Federal
Saúde e Ciência
Clock Icon
3
min
Câncer colorretal: diagnóstico precoce e prevenção são essenciais para reduzir casos no Distrito Federal
News Card

A SES-DF reforça a importância do rastreamento precoce do câncer colorretal, com exames e palestras, visando reduzir os cerca de 710 novos casos anuais na região. Medidas simples podem evitar até 40% dos casos.

"Mais de 22 mil inserções de DIU de cobre no Distrito Federal ampliam acesso ao planejamento reprodutivo"
Saúde e Ciência
Clock Icon
4
min
"Mais de 22 mil inserções de DIU de cobre no Distrito Federal ampliam acesso ao planejamento reprodutivo"
News Card

Em 2024, o Distrito Federal registrou 8.221 inserções do dispositivo intra-uterino (DIU) de cobre, mais que o dobro de 2021, após enfermeiros serem autorizados a realizar o procedimento. A medida visa ampliar o acesso ao planejamento reprodutivo e melhorar indicadores de saúde.

Estudo investiga a influência da ancestralidade no risco de Alzheimer entre brasileiros
Saúde e Ciência
Clock Icon
3
min
Estudo investiga a influência da ancestralidade no risco de Alzheimer entre brasileiros
News Card

Pesquisas de Michel Naslavsky, biólogo da USP, exploram como a ancestralidade miscigenada no Brasil pode afetar o impacto do gene APOE no Alzheimer, com resultados previstos para o próximo ano. A investigação busca entender variações genéticas e suas implicações na doença.

Hospital Regional da Asa Norte realiza mais de 300 espirometrias em força-tarefa para diagnóstico de doenças respiratórias
Saúde e Ciência
Clock Icon
3
min
Hospital Regional da Asa Norte realiza mais de 300 espirometrias em força-tarefa para diagnóstico de doenças respiratórias
News Card

Mais de 300 espirometrias foram realizadas em maio no Hospital Regional da Asa Norte (Hran) com apoio do programa AbraçAR, visando diagnosticar e monitorar doenças respiratórias. A ação é crucial para o tratamento de condições como DPOC e asma.

Câmara dos Deputados avança na regulamentação das profissões de agentes indígenas de saúde e saneamento
Saúde e Ciência
Clock Icon
4
min
Câmara dos Deputados avança na regulamentação das profissões de agentes indígenas de saúde e saneamento
News Card

A Câmara dos Deputados regulamenta as funções de Agente Indígena de Saúde e Saneamento. A proposta aprovada exige que os profissionais sejam indígenas, residentes na comunidade, e tenham formação específica. O prazo para adequação às novas regras foi ampliado para quatro anos, visando facilitar o acesso à saúde nas comunidades. A contratação seguirá as normas da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). A proposta ainda precisa passar pela Comissão de Constituição e Justiça e pelo Senado.