Saúde e Ciência

Câncer colorretal deve crescer 21% no Brasil até 2040, alertam especialistas da Fundação do Câncer

Estudo da Fundação do Câncer prevê aumento de 21% nos casos de câncer colorretal no Brasil entre 2030 e 2040, atingindo principalmente pessoas acima de 50 anos. O envelhecimento populacional e hábitos inadequados são os principais fatores.

Atualizado em
June 1, 2025
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Câncer colorretal está em alta no Brasil e no mundo Foto: Jo Panuwat D/Adobe Stock

Um estudo da Fundação do Câncer prevê um aumento de 21% nos casos de câncer colorretal no Brasil entre 2030 e 2040. Os registros devem passar de 58.830 para 71.050, refletindo o envelhecimento da população e a adesão inadequada a hábitos saudáveis. A pesquisa indica que mais de 88% dos casos em 2040 afetarão pessoas acima de 50 anos, uma vez que o câncer se desenvolve ao longo de décadas.

O câncer colorretal, que afeta o intestino grosso, o reto e o ânus, é um dos cinco tipos mais comuns de câncer no mundo. O epidemiologista Alfredo Scaff, consultor médico da Fundação do Câncer, destaca que a maioria dos diagnósticos ocorre em estágios avançados, quando os sintomas, como sangramentos, se tornam evidentes. O diagnóstico precoce é crucial, pois as taxas de sobrevida podem chegar a 95% nos estágios iniciais.

A colonoscopia é o exame mais indicado para rastreamento da doença, permitindo a visualização do intestino e a remoção de pólipos, que podem se tornar cancerígenos. Dados do Observatório da Saúde Pública mostram que, entre 2019 e 2024, o número de colonoscopias realizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) aumentou 65,5%, totalizando 574,6 mil no último ano. Apesar do crescimento, o acesso ao exame ainda é limitado.

O médico Samuel Aguiar, do A.C.Camargo Cancer Center, ressalta que a colonoscopia é um exame invasivo e caro, o que dificulta sua realização em larga escala. Como alternativa, o exame de sangue oculto nas fezes pode ser uma opção de triagem, embora não substitua a colonoscopia. Aguiar recomenda que o exame de sangue oculto seja feito anualmente a partir dos 45 anos.

Os hábitos alimentares e a falta de atividade física estão fortemente relacionados ao câncer colorretal. A Sociedade Brasileira de Patologia aponta que cerca de 30% dos tumores intestinais são causados por sedentarismo, má alimentação e obesidade. O consumo excessivo de carne vermelha e processada, aliado à baixa ingestão de fibras, aumenta o risco de desenvolvimento da doença.

Diante desse cenário alarmante, é fundamental que a sociedade civil se mobilize para apoiar iniciativas que promovam a saúde e a prevenção do câncer colorretal. Projetos que incentivem hábitos saudáveis e o acesso a exames de rastreamento podem fazer uma diferença significativa na luta contra essa doença. Nossa união pode ajudar a transformar essa realidade e salvar vidas.

Estadão
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