Saúde e Ciência

Aumento de afastamentos por dor nas costas no Brasil revela impacto de hábitos modernos na saúde dos trabalhadores

Em 2024, o Brasil registrou 205.142 afastamentos por dor nas costas, um aumento de 69% em relação ao ano anterior. Especialistas alertam para a importância de hábitos saudáveis e exercícios físicos na prevenção.

Atualizado em
May 22, 2025
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Má postura e estresse estão entre as causas mais frequentes de dor nas costas Foto: Africa Studio/Adobe Stock

Em 2024, o Brasil registrou um aumento alarmante de 69% nos afastamentos do trabalho devido a dores nas costas, totalizando 205.142 casos. A dorsalgia, que se refere à dor na região dorsal da coluna, foi a principal causa desses afastamentos, segundo dados do Ministério da Previdência Social. Essa condição não afeta apenas os trabalhadores brasileiros, mas é uma preocupação global, refletindo a necessidade urgente de intervenções para melhorar a saúde ocupacional.

As causas mais comuns para a dor nas costas incluem má postura, sedentarismo, estresse e sobrecarga repetitiva. Francisco Cortes Fernandes, presidente da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT), destaca que a fadiga muscular é o distúrbio mais frequente, especialmente em pessoas que permanecem longos períodos em posições inadequadas. O uso excessivo de celulares também contribui para o aumento dos casos, com Renato Ueta, diretor da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), apontando que a postura de cabeça baixa é um fator significativo.

A dor nas costas é classificada em três categorias principais: cervicalgia (dor no pescoço), dorsalgia (dor na região média da coluna) e lombalgia (dor na parte inferior das costas). A dorsalgia, em particular, foi responsável pela maioria dos afastamentos em 2024. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 80% da população mundial experimentará dor na coluna em algum momento da vida, o que ressalta a importância de uma abordagem preventiva.

Os especialistas alertam que dores intensas ou prolongadas devem ser avaliadas por um profissional de saúde. Sinais como fraqueza muscular, formigamento e alterações na marcha são indicativos de que a situação requer atenção médica. Ricardo Meirelles, chefe do Centro de Doenças da Coluna Vertebral do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), enfatiza que a dor pode ser classificada pela duração e pela causa, sendo frequentemente relacionada a hábitos de vida inadequados.

Para combater a dor nas costas, mudanças de hábitos são essenciais. A prática regular de exercícios físicos, que inclui alongamentos e fortalecimento muscular, é altamente recomendada. Ueta sugere que, mesmo durante episódios de dor, é importante manter-se ativo dentro dos limites do desconforto. Além disso, adotar uma boa postura e ergonomia no ambiente de trabalho pode prevenir o agravamento da dor.

Em um cenário onde a dor nas costas é uma preocupação crescente, a união da sociedade pode fazer a diferença. Projetos que promovem a saúde e o bem-estar no ambiente de trabalho devem ser incentivados. A mobilização em torno de iniciativas que visem a melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores pode contribuir significativamente para a redução dos afastamentos e a promoção de um ambiente mais saudável.

Estadão
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