Saúde e Ciência

Consumo excessivo de álcool aumenta risco de lesões cerebrais e problemas cognitivos, aponta estudo da USP

Estudo da USP revela que consumo de oito doses ou mais de álcool por semana está associado a lesões cerebrais e aumento do risco de demência. Pesquisadores alertam para os danos à saúde cognitiva.

Atualizado em
April 10, 2025
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Consumo excessivo de álcool aumenta o risco para uma gama de doenças. — Foto: Freepik/Myron Muza

Autoridades de saúde têm reiterado que não existe dose segura de álcool, associando seu consumo a riscos elevados de doenças, como câncer e problemas cardiovasculares. Um novo estudo da Universidade de São Paulo (USP) revelou que o consumo de oito doses ou mais de álcool por semana está ligado a lesões cerebrais e problemas cognitivos, aumentando o risco de demência e comprometendo a saúde cerebral.

A pesquisa, publicada na revista Neurology, da Academia Americana de Neurologia, identificou que a ingestão de oito doses, definidas como 14 gramas de álcool (equivalente a uma lata de 350 ml de cerveja, uma taça de 150 ml de vinho ou 45 ml de destilados), está associada a uma maior probabilidade de lesões cerebrais. O pesquisador Alberto Fernando Oliveira Justo, da USP, destacou a preocupação com o consumo excessivo de álcool, que pode levar a problemas de memória e raciocínio.

Para chegar a essas conclusões, os cientistas analisaram amostras de tecido cerebral de mil setecentas e oitenta e uma pessoas, com média de setenta e cinco anos na época da morte. O material faz parte do “banco de cérebros” da USP, que armazena órgãos doados para estudos. Os pesquisadores examinaram as amostras em busca de lesões e mediram o peso do cérebro e a altura de cada participante.

Os participantes foram divididos em grupos: aqueles que nunca beberam álcool, os que consumiam sete ou menos doses por semana (consumo moderado), os “bebedores excessivos” (oito doses ou mais) e os “ex-bebedores excessivos”. Após ajustes para fatores como idade e tabagismo, os “bebedores excessivos” apresentaram uma probabilidade 133% maior de ter lesões vasculares cerebrais em comparação com os não consumidores.

Além disso, os “ex-bebedores excessivos” mostraram um risco aumentado de 89%, enquanto os moderados apresentaram um aumento de 60%. As lesões observadas, conhecidas como arteriolosclerose hialina, dificultam o fluxo sanguíneo no cérebro, provocando danos associados a problemas de memória e raciocínio, típicos de quadros de demência.

Os pesquisadores também identificaram uma maior probabilidade de acúmulo de emaranhados de tau, uma proteína relacionada ao Alzheimer, entre os “bebedores excessivos” e “ex-bebedores excessivos”. O padrão de consumo elevado foi associado a uma menor proporção de massa cerebral em relação à corporal e a habilidades cognitivas piores. A conscientização sobre os efeitos do álcool é crucial para a saúde pública, e iniciativas que promovam a redução do consumo podem fazer a diferença na vida de muitos.

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