Estudo do IGc-USP e do Inpe alerta que a recarga dos aquíferos brasileiros pode cair drasticamente até 2100, especialmente no Sudeste e Sul, devido à crise climática. A pesquisa sugere a recarga manejada como solução.

A crise climática global pode impactar severamente a recarga dos aquíferos brasileiros, reduzindo a disponibilidade de águas subterrâneas em todo o país. Essa é a conclusão de um estudo realizado por cientistas do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo (IGc-USP) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que avaliou os efeitos de diferentes cenários climáticos na oferta hídrica até o final do século. O estudo foi publicado no periódico Environmental Monitoring and Assessment.
As águas subterrâneas, que abastecem cerca de 112 milhões de brasileiros, são essenciais para poços, nascentes e ecossistemas. A pesquisa utilizou um modelo de balanço hídrico, com dados do Coupled Model Intercomparison Project Phase 6 (CMIP6), para prever alterações na temperatura, precipitação e recarga de aquíferos entre 2025 e 2100. Os cientistas analisaram cenários moderados e pessimistas de emissões de gases de efeito estufa.
Os resultados indicam que a recarga dos aquíferos pode diminuir drasticamente, especialmente nas regiões Sudeste e Sul, que devem se tornar mais secas. A temperatura média do Brasil pode aumentar entre 1,02 °C e 3,66 °C, enquanto a distribuição das chuvas se tornará ainda mais desigual. Regiões como o Norte e parte do litoral Leste devem enfrentar quedas na precipitação, enquanto o Sul e partes do Nordeste podem ter aumentos pontuais.
Ricardo Hirata, professor do IGc-USP e autor do estudo, destaca que chuvas intensas e concentradas favorecem o escoamento superficial, mas não a infiltração necessária para a recarga dos aquíferos. Ele explica que, mesmo quando a água penetra no solo, o processo de alcançar o aquífero pode levar meses. A pesquisa prevê uma diminuição de até 666 milímetros por ano na recarga em áreas críticas, como o Sistema Aquífero Bauru-Caiuá.
Apesar da importância das águas subterrâneas, as políticas públicas têm negligenciado essa questão. Hirata ressalta que mais da metade dos municípios brasileiros depende dessa fonte de água. Ele observa que, durante a crise hídrica de 2014-2016, cidades abastecidas por águas subterrâneas foram menos afetadas do que aquelas que dependiam de água superficial.
O estudo também sugere soluções, como a recarga manejada de aquíferos, que utiliza técnicas para aumentar a infiltração de água de chuva ou esgoto tratado. Essa abordagem pode incluir estruturas simples ou sistemas mais sofisticados de injeção direta. Em tempos de crise hídrica, iniciativas que promovam a gestão sustentável das águas subterrâneas são essenciais, e a mobilização da sociedade pode fazer a diferença na preservação desse recurso vital.

Um novo modelo de otimização, chamado X DRO, foi desenvolvido para aprimorar o planejamento de plantas de hidrogênio verde, enfrentando incertezas na geração de energia renovável e assegurando viabilidade econômica. O estudo, liderado por Luis Oroya da Universidade Estadual de Campinas, propõe uma abordagem robusta para lidar com variações climáticas e operacionais, garantindo soluções mais econômicas e confiáveis. O modelo pode beneficiar comunidades isoladas, permitindo o armazenamento de energia renovável e a operação de equipamentos em períodos de baixa geração.

Uma pesquisa do Ipec revela que 52% dos moradores das dez capitais mais populosas do Brasil veem a poluição do ar como o principal problema ambiental. A sondagem, encomendada pelo Instituto Cidades Sustentáveis, destaca preocupações locais variadas.

O Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) lançou a 8ª edição do programa de bolsas "Bolsas Funbio - Conservando o Futuro", com R$ 1 milhão em financiamentos. As inscrições vão até 31 de julho.

Em 2024, 44% das instituições financeiras no Brasil relataram impactos diretos do clima, um aumento alarmante em relação aos anos anteriores, refletindo um "novo normal" de riscos climáticos. Eventos como enchentes e secas intensificaram a preocupação com a inadimplência no agronegócio, setor altamente exposto. A Confederação Nacional das Seguradoras estima indenizações anuais entre R$ 4 bilhões e R$ 4,5 bilhões em seguros rurais, evidenciando a crescente frequência de desastres naturais.

Em março de 2025, Goiânia registrou uma queda de 62% na precipitação, totalizando apenas 97,0 mm, enquanto as temperaturas médias superaram a normal em até 2,5°C, impactando o clima local.

Em 2024, as emissões globais de CO₂ atingiram 53,8 bilhões de toneladas, enquanto apenas 19 países atualizaram suas metas climáticas. O Brasil, sede da COP30, promete reduzir suas emissões em até 67%.