Impacto Social

Governo de São Paulo e Prefeitura negociam compensação para comerciantes da Favela do Moinho

Governo de São Paulo e Prefeitura iniciam negociações para compensar 38 comerciantes da Favela do Moinho, visando reinserção comercial e auxílio-moradia. A comunidade enfrenta riscos e promessas não cumpridas.

Atualizado em
May 12, 2025
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De acordo com a CDHU, 821 famílias vivem na Favela do Moinho; área pertence à União. Foto: Taba Benedicto/Estadão

O governo do Estado de São Paulo e a Prefeitura da capital anunciaram, no dia 24, que iniciarão negociações para compensar 38 comerciantes da Favela do Moinho, localizada nos Campos Elíseos. Esta comunidade é a última ainda existente no centro de São Paulo e enfrenta um processo de retirada devido a questões de segurança e qualidade de vida. A Prefeitura informou que 86% dos moradores aderiram voluntariamente ao plano de desocupação, mas a reinserção dos comerciantes ainda é um desafio.

O secretário de Estado de Desenvolvimento Urbano e Habitação, Marcelo Branco, destacou que a intenção é criar condições para que os comerciantes possam estabelecer seus negócios em novos locais. O governador em exercício, Felício Ramuth, afirmou que as negociações individuais começarão imediatamente, visando oferecer auxílio às famílias afetadas. No entanto, os detalhes sobre a compensação ainda não foram especificados.

Atualmente, a Favela do Moinho abriga cerca de 821 famílias, totalizando aproximadamente 2,5 mil pessoas. Dentre elas, 719 já iniciaram o processo de adesão ao plano de retirada, com 558 prontas para assinar contratos e receber chaves de novos imóveis. A Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU) está oferecendo alternativas de moradia e auxílio-moradia enquanto as novas unidades não são entregues.

A comunidade enfrenta problemas graves, incluindo a presença de organizações criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC), que utilizam a área para atividades ilícitas. Além disso, a localização da favela, entre linhas de trem e sob viadutos, dificulta a regularização e a segurança dos moradores. Nos últimos anos, a área foi palco de incêndios que deixaram mortos e desabrigados.

Embora a proposta de desocupação tenha sido aceita por muitos, alguns moradores expressam insatisfação com as alternativas oferecidas, especialmente aqueles que desejam permanecer no centro da cidade. A presença da Polícia Militar tem gerado tensão, e protestos têm ocorrido desde a semana passada, refletindo a resistência de parte da comunidade à retirada.

Neste contexto, é fundamental que a sociedade civil se mobilize para apoiar as famílias afetadas e promover soluções que garantam a dignidade e a continuidade das atividades comerciais. A união em torno de iniciativas que ajudem a reintegrar esses comerciantes e suas famílias pode fazer a diferença em um momento tão delicado.

Estadão
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