Saúde e Ciência

Homens enfrentam maior risco de doenças e mortalidade, revelam dados sobre saúde masculina no Brasil

Homens apresentam maior incidência de doenças e menor expectativa de vida que mulheres, conforme estudo da Universidade do Sul da Dinamarca. A Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem busca reverter essa situação.

Atualizado em
August 7, 2025
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Médico diz que muitos homens ainda encaram o sistema de saúde como um recurso emergencial, e não de prevenção - Alex Green /Pexels

Uma pesquisa da Universidade do Sul da Dinamarca, publicada na revista PLOS Medicine, revela que homens apresentam maior incidência de doenças e menor expectativa de vida em comparação às mulheres em mais de duzentos países. O estudo focou em condições como hipertensão, diabetes e HIV/Aids, mostrando que os homens têm taxas mais elevadas dessas doenças e buscam menos o sistema de saúde para diagnóstico e tratamento. Fatores sociais e culturais são apontados como explicações principais para esse padrão.

O médico de família e comunidade Wilands Patrício Procópio Gomes, do Einstein Hospital Israelita, destaca que o estereótipo de masculinidade, associado a normas sociais, impacta negativamente a saúde dos homens. Entre os fatores mencionados estão a ideia de que estar doente é sinônimo de fragilidade, a falta de conhecimento sobre o próprio corpo e o medo de diagnósticos. No Brasil, a expectativa de vida masculina em 2023 era de setenta e três anos, enquanto a das mulheres era de setenta e nove anos.

Dados da Pesquisa Nacional de Saúde de 2019 indicam que apenas sessenta e nove vírgula quatro por cento dos homens consultaram um médico no ano anterior, em comparação a oitenta e dois vírgula três por cento das mulheres. Essa resistência em buscar cuidados médicos resulta em altas taxas de complicações fatais, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC), especialmente em doenças crônicas. O estigma em torno de exames preventivos, como o toque retal para câncer de próstata, também contribui para essa situação.

A Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (PNAISH), criada em dois mil e oito, visa enfrentar esses desafios. A iniciativa busca adaptar o Sistema Único de Saúde (SUS) às necessidades dos homens, promovendo acolhimento e horários estendidos nas unidades de saúde. Gomes ressalta que ações como grupos de saúde em comunidades e atendimento coletivo podem aumentar o acesso e a conscientização sobre saúde masculina.

Campanhas como o Novembro Azul, iniciada em dois mil e onze, têm como objetivo sensibilizar os homens sobre a importância de exames preventivos e discutir temas como saúde mental e doenças cardiovasculares. No entanto, Gomes enfatiza que a transformação real depende do reconhecimento e da ação sobre os determinantes sociais e culturais que afastam os homens do cuidado com a saúde.

Iniciativas que promovem a saúde masculina são essenciais e podem ser ampliadas com o apoio da sociedade civil. Vítimas de doenças evitáveis e suas famílias podem se beneficiar de ações que incentivem o autocuidado e a prevenção. A união em torno de projetos que visem melhorar a saúde dos homens pode fazer a diferença e contribuir para um futuro mais saudável.

Folha de São Paulo
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