Terceiro Setor

Hortas escolares em São Paulo promovem educação integral e combatem insegurança alimentar

A ONG Cidade Sem Fome, liderada por Hans Dieter Temp, enfrenta dificuldades financeiras para expandir suas hortas em escolas de São Paulo, com 32 unidades na fila de espera. A falta de apoio governamental limita o projeto.

Atualizado em
August 12, 2025
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Alunos da Escola Estadual Professora Maria de Lourdes Rosário Negreiros participando do plantio na horta escolar - Rafaela Araújo/Folhapress

Toda escola deveria ter uma horta. Essa afirmação reflete a visão de Hans Dieter Temp, fundador da ONG Cidade Sem Fome, que já implementou hortas em cinquenta escolas públicas na zona leste de São Paulo. O projeto, iniciado em 2012, busca combater o desemprego, a insegurança alimentar e os efeitos das mudanças climáticas. A ONG trabalha em parceria com instituições de ensino, criando canteiros para o cultivo de verduras e legumes em áreas ociosas, promovendo a educação integral e melhorando a alimentação dos alunos.

Atualmente, a Cidade Sem Fome mantém hortas em cinquenta e sete escolas, com um custo médio anual de R$ 50 mil por unidade. Entretanto, a ONG enfrenta dificuldades financeiras para expandir suas atividades, com trinta e duas escolas na lista de espera. A falta de apoio da prefeitura e do governo estadual agrava a situação, já que a organização depende de financiamento privado para suas operações.

Hans destaca que a horta escolar não apenas beneficia os alunos, mas também envolve as famílias. Quando os pais visitam a escola e conhecem o projeto, muitos se interessam, e o excedente das colheitas é enviado para as famílias, incentivando o cultivo em casa. Beatriz de Lima Medici, nutricionista que atua na Escola Estadual Professora Maria de Lourdes do Rosário Negreiros, observa que os alunos desenvolvem um vínculo com a terra, participando ativamente do processo de plantio.

A educação integral, que articula saberes acadêmicos, sociais e culturais, é uma abordagem valorizada por especialistas. Helena Singer, da organização internacional Ashoka, afirma que iniciativas como as hortas escolares deveriam ser parte da rotina educacional. No entanto, a rede pública de ensino no Brasil ainda prioriza uma educação conteudista, em contraste com países que se destacam em avaliações internacionais.

A diretora da Escola Estadual Professora Maria de Lourdes do Rosário Negreiros, Lucimar Farias Santos, ressalta que os alimentos cultivados na escola são servidos aos alunos pelo menos duas vezes por semana. Apesar do reconhecimento do trabalho da ONG, Hans lamenta a falta de investimento público, afirmando que a justificativa para a ausência de apoio é sempre a mesma: a falta de orçamento.

A Secretaria Municipal de Educação reconheceu a importância das iniciativas da sociedade civil, mas a destinação de recursos públicos depende de critérios legais. A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo informou que mantém um projeto similar, mas a necessidade de apoio financeiro para expandir projetos como o da Cidade Sem Fome é evidente. Nessa situação, a união da sociedade pode ser fundamental para garantir que mais escolas tenham acesso a hortas, promovendo a educação e a alimentação saudável.

Folha de São Paulo
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