Terceiro Setor

Jaguatirica resgatada com mais de 20 ferimentos de projéteis em Trajano de Moraes passa por cirurgia e reabilitação

Uma jaguatirica macho foi resgatada em Trajano de Moraes, RJ, com mais de 20 ferimentos por projéteis e uma pata quebrada. O animal, tratado pelo Instituto BW, passará por nova cirurgia para remoção de um projétil.

Atualizado em
May 8, 2025
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Jaguatirica resgatada em Trajano de Moraes, no Norte Fluminense, ferida por tiros e espinhos de ouriço — Foto: Divulgação / Instituto BW

Uma jaguatirica macho foi resgatada no dia quinze de abril na Serra das Almas, em Trajano de Moraes, no estado do Rio de Janeiro. O animal apresentava mais de 20 ferimentos causados por projéteis e uma fratura na pata dianteira direita, possivelmente resultado de uma armadilha conhecida como trabuco. A situação foi confirmada por exames de raio-x realizados pela médica veterinária Paula Baldassin, vice-presidente do Instituto BW (IBW), uma ONG dedicada à conservação e reabilitação de animais selvagens.

O resgate ocorreu após a jaguatirica invadir um galinheiro, sendo capturada pelo proprietário da propriedade, que acionou as autoridades locais. Durante o atendimento, foram encontrados espinhos de ouriço em seu corpo, que foram removidos após a sedação do animal. Após uma cirurgia inicial, onde foram retirados 23 projéteis de chumbo, um projétil permanece alojado próximo ao olho, exigindo um novo procedimento cirúrgico para sua remoção.

De acordo com Paula Baldassin, a concentração dos projéteis na parte inferior do corpo do animal indica que ele foi atingido por um trabuco, uma arma de pressão. A jaguatirica estava em estado de desnutrição e precisou de quatro dias para se estabilizar antes da cirurgia. O animal, que ainda não recebeu um nome para evitar apego, está em um recinto controlado para se recuperar e não gastar energia, já que uma cirurgia ortopédica está prevista para breve.

A jaguatirica foi inicialmente levada para a Base de Estabilização do IBW em Macaé, a mais de oitenta quilômetros de distância, e posteriormente transferida para o Centro de Reabilitação de Animais Selvagens Praia Seca, em Araruama, onde há melhor infraestrutura para o tratamento. A veterinária destacou que é comum encontrar jaguatiricas na região fluminense e que, em casos como esse, a população deve acionar a guarda ambiental municipal para o resgate adequado dos animais.

Além da jaguatirica, o centro de reabilitação abriga outros animais que também sofreram com a ação humana, como um mico-leão-dourado que ficou paraplégico após ser atingido por um tiro de chumbo na coluna e fragatas que tiveram suas asas cortadas por linhas de pipa com cerol. Esses casos ressaltam a importância da preservação da fauna e a necessidade de ações efetivas para proteger os animais selvagens.

Essa situação evidencia a urgência de iniciativas que promovam a proteção e a recuperação de animais feridos. A união da sociedade civil pode fazer a diferença na recuperação desses seres vulneráveis, contribuindo para a conservação da biodiversidade e a promoção de projetos que visem a reabilitação de animais selvagens. Cada ação conta e pode impactar positivamente a vida desses animais e o equilíbrio do ecossistema.

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