Impacto Social

Machismo persiste no Congresso: mulheres relatam agressões e deslegitimação em sessões parlamentares

O machismo persiste no Parlamento brasileiro, evidenciado por ataques à ministra Marina Silva e relatos de agressões a mulheres. Apenas 18% das cadeiras da Câmara são ocupadas por mulheres.

Atualizado em
June 1, 2025
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Senador Marcos Rogério (PL-RO) disse na sessão que Marina Silva deveria 'se pôr no seu lugar' — Foto: GERALDO MAGELA/AGÊNCIA SENADO

O machismo no ambiente parlamentar brasileiro continua a ser um tema relevante, especialmente após a recente audiência no Senado em que a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, foi alvo de interrupções e ofensas. Durante a sessão, um senador afirmou que a mulher merece respeito, mas a ministra não, reacendendo o debate sobre a violência política de gênero. Atualmente, apenas dezoito por cento das cadeiras da Câmara dos Deputados são ocupadas por mulheres, totalizando noventa e nove entre quinhentos e cinquenta e cinco parlamentares.

Senadoras e deputadas relataram em entrevistas que o machismo se manifesta de diversas formas no cotidiano parlamentar. Elas mencionaram episódios de interrupções sistemáticas, deslegitimação de falas e até agressões físicas. A deputada Delegada Katarina, única mulher na Mesa Diretora, destacou um incidente em que, ao presidir uma sessão, seus apelos para que os colegas se calassem foram ignorados. Essa situação evidencia a dificuldade que mulheres enfrentam em um ambiente predominantemente masculino.

A deputada Jandira Feghali, com trinta e quatro anos de mandato, compartilhou experiências de agressões e ameaças que já sofreu dentro do Congresso. Em uma recente sessão da Comissão de Cultura, ela foi ameaçada pelo deputado Paulo Bilynskyj, que insinuou que, fora do parlamento, a solução para discordâncias seria “prender ou atirar”. Além disso, projetos que mencionam a palavra “gênero” frequentemente enfrentam rejeição automática.

A senadora Daniella Ribeiro relatou que, mesmo em posições de destaque, já foi solicitada a ceder seu lugar a homens em eventos parlamentares. Ela também recordou um episódio em que um general do governo anterior a confundiu com uma assessora, evidenciando a desvalorização das mulheres em cargos de poder. A senadora Teresa Leitão, embora não tenha presenciado episódios explícitos de machismo, notou um desconforto visível entre colegas ao serem questionados por mulheres.

Desde 2013, a Secretaria da Mulher da Câmara recebeu oitenta e seis denúncias formais de violência política de gênero, incluindo interrupções e ameaças. A criação de uma lei específica em 2021 permitiu que esses casos fossem formalmente denunciados, prevendo penas de um a quatro anos de prisão e multas. A recente audiência em que Marina Silva foi interrompida repetidamente pelo senador Marcos Rogério, que chegou a cortar seu microfone, exemplifica a necessidade urgente de abordar essa questão.

Esses relatos ressaltam a importância de fortalecer a presença feminina na política e a necessidade de medidas estruturais, como cotas para mulheres. A união da sociedade civil pode ser um fator crucial para apoiar iniciativas que promovam a igualdade de gênero e a segurança das mulheres no espaço político. Projetos que visem a valorização e proteção das mulheres no ambiente parlamentar devem ser incentivados e apoiados por todos nós.

Globo.com
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