Impacto Social

Massacre do Rio Abacaxis: a luta por justiça e a memória de povos indígenas e ribeirinhos no Brasil

O Massacre do Rio Abacaxis, em 2020, resultou em mortes e torturas de indígenas e ribeirinhos, com indiciamentos de agentes de segurança em 2023, mas permanece esquecido pela sociedade. A violência histórica contra esses povos, marcada por massacres e impunidade, continua a ser silenciada, enquanto a luta por justiça e reconhecimento persiste.

Atualizado em
August 4, 2025
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Mandeí, Maytá e Boreá são as últimas sobreviventes do povo Juma — Foto: Andre Penner/AP Photo/picture alliance/DW

O Brasil tem enfrentado uma história marcada por violência contra povos indígenas e ribeirinhos, com episódios trágicos que se intensificaram desde a colonização portuguesa. Um dos casos mais recentes e impactantes foi o Massacre do Rio Abacaxis, ocorrido em agosto de 2020, no Amazonas, onde a operação da Polícia Militar resultou na morte de oito pessoas e na tortura de centenas de moradores. O massacre foi motivado por uma suposta vingança após um incidente envolvendo um secretário do governo do Amazonas.

Antônio Monteiro, um dos sobreviventes, relembra a dor de perder sua família, incluindo seu filho e neto, que foram brutalmente assassinados. O massacre, que deixou marcas profundas na comunidade, foi indiciado em 2023, mas a memória desse e de outros massacres frequentemente é apagada da história nacional. A pesquisadora Priscila de Oliveira, da ONG Survival International, destaca que a impunidade e o silenciamento contribuem para o esquecimento desses eventos.

A violência contra indígenas no Brasil não é um fenômeno recente. Desde a chegada dos colonizadores, os povos indígenas enfrentaram massacres e extermínios, com a colonização legitimando a violência através das chamadas "guerras justas". O antropólogo João Pacheco de Oliveira explica que, no início da colonização, a população indígena era de cerca de 2 a 4 milhões, mas hoje representa apenas 0,83% da população brasileira, com a redução drástica de etnias.

Além do Massacre do Rio Abacaxis, outros episódios de violência, como o massacre do povo juma e o massacre de Capacete, também ilustram a luta contínua por terras e direitos. O massacre do povo juma, que ocorreu durante a ditadura militar, resultou na quase extinção da etnia, enquanto o massacre de Capacete, em 1988, foi um ataque a uma assembleia pacífica, motivado por interesses madeireiros.

O massacre de Haximu, em 1993, e o massacre de Caarapó, em 2016, são outros exemplos de como a violência contra indígenas persiste, com a luta por terras e a exploração de recursos naturais como pano de fundo. O massacre de Haximu foi o primeiro a ser julgado como genocídio no Brasil, enquanto o massacre de Caarapó resultou em um ataque a um grupo de guarani kaiowá, que lutava por seus direitos territoriais.

Esses eventos trágicos ressaltam a necessidade de lembrar e reconhecer a história dos povos indígenas e ribeirinhos no Brasil. A união da sociedade civil pode ser fundamental para apoiar iniciativas que visem preservar a memória e os direitos dessas comunidades. Projetos que promovam a conscientização e a justiça social são essenciais para garantir que a história não se repita e que as vozes dos menos favorecidos sejam ouvidas.

G1 - Meio Ambiente
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