Educação

Ministério Público Federal exige plano do Conselho Nacional de Educação para reposição de aulas afetadas por violência

O Ministério Público Federal (MPF) cobra agilidade do Conselho Nacional de Educação (CNE) na elaboração de um plano para repor aulas perdidas devido à violência nas escolas. A comissão do CNE deve apresentar propostas em até 120 dias, considerando aulas online e encontros aos sábados.

Atualizado em
July 26, 2025
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Manifestação de escolas da Maré contra a violência — Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo/27/06/2018

O Ministério Público Federal (MPF) solicitou ao Conselho Nacional de Educação (CNE) agilidade na elaboração de um plano para a reposição de aulas que foram canceladas devido à violência nas escolas. O MPF estipulou um prazo de 120 dias para a conclusão do documento, ressaltando que a suspensão das atividades escolares, provocada por operações policiais ou conflitos entre facções criminosas, afeta diretamente as crianças em áreas vulneráveis.

Em resposta, o CNE criou uma comissão para monitorar o cumprimento dos 200 dias letivos, uma iniciativa que surgiu após a mobilização da Redes da Maré, uma organização da sociedade civil que atua na Zona Norte do Rio de Janeiro. O objetivo da comissão é acompanhar as redes educacionais que enfrentam interrupções nas aulas devido à violência ou a desastres naturais, ampliando o escopo do plano de reposição.

A legislação brasileira prevê a realização de 200 dias letivos, mas esse número nem sempre é alcançado. A conselheira Cleonice Rehem, que preside a comissão, destacou que, em muitos casos, a reposição das aulas se torna incerta, resultando em soluções improvisadas. As alternativas para a reposição ainda estão sendo discutidas, incluindo aulas online, encontros aos sábados e a utilização de dias de férias.

Embora a proposta de aulas online seja uma opção, é necessário cautela. Durante a pandemia, essa estratégia não foi eficaz para muitos alunos de baixa renda, que não tinham acesso à internet. A situação nas escolas é alarmante, com relatos de alunos e professores se escondendo durante tiroteios. Andreia Martins, pesquisadora de Educação e diretora da Redes da Maré, afirmou que as medidas de emergência, como enviar tarefas por WhatsApp, não têm valor pedagógico em situações de conflito.

A suspensão das aulas em decorrência da violência é uma medida necessária para garantir a segurança de todos os envolvidos no ambiente escolar. No entanto, essa realidade traz consequências sérias, como a perda de conteúdos importantes, colocando os alunos em desvantagem em relação a outros estudantes. Com a continuidade da violência, é urgente que um plano de reposição de aulas seja implementado rapidamente.

É fundamental que a sociedade civil se mobilize para apoiar iniciativas que garantam a educação de crianças em áreas afetadas pela violência. Projetos que visem a recuperação e a continuidade do aprendizado podem fazer a diferença na vida desses estudantes, promovendo um futuro mais seguro e igualitário.

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