Meio Ambiente

Mudanças climáticas aumentam risco de malária no Brasil com a chegada do vetor Anopheles stephensi

Estudo da USP alerta sobre a vulnerabilidade do Brasil à introdução do vetor Anopheles stephensi, que pode aumentar o risco de malária em áreas urbanas devido ao comércio e transporte marítimo. A pesquisa destaca a necessidade urgente de monitoramento nos portos para evitar a propagação da doença.

Atualizado em
August 21, 2025
Clock Icon
4
min
Mosquito sob pele - Fonte: USP Imagens

As mudanças climáticas têm gerado um ambiente urbano propenso à malária, uma doença que antes se restringia a áreas florestais. O vetor Anopheles stephensi, originário da Ásia e identificado como invasor em 2012, tem se espalhado rapidamente, sendo detectado em aproximadamente 14 países. Um estudo da Faculdade de Saúde Pública e do Grupo de Estudos em Saúde Planetária Brasil, ambos da Universidade de São Paulo (USP), alerta que o Brasil está vulnerável à introdução desse mosquito, especialmente por meio do comércio e transporte marítimo.

O Anopheles stephensi, semelhante ao Aedes aegypti, que transmite dengue e zika, deposita ovos em locais com água acumulada, como pneus e caixas d'água. Sua disseminação ocorre ativamente, através do transporte de cargas em navios, e passivamente, por fluxos de vento. O estudo, publicado na revista Scientific Reports, destaca que os portos brasileiros, conectados a grandes centros urbanos, são pontos críticos para a introdução do vetor.

André Luís Acosta, coordenador do grupo de estudos e um dos autores do trabalho, enfatiza que o transporte marítimo é crucial na disseminação do Anopheles stephensi. Durante o transporte de mercadorias, ovos e mosquitos adultos podem ser levados, facilitando a chegada do vetor a novas localidades. A infecção por malária ocorre quando fêmeas infectadas picam pessoas, transmitindo o protozoário Plasmodium, causador da doença, que pode ser fatal se não tratado rapidamente.

O estudo revela que a ampla distribuição do Aedes aegypti no Brasil demonstra como mosquitos adaptados a ambientes urbanos podem se estabelecer em novas áreas. Acosta ressalta a importância do monitoramento entomológico, especialmente nos portos, para a identificação precoce do Anopheles stephensi, reduzindo o risco de sua introdução no país. A detecção do vetor antes da transmissão da malária é fundamental para evitar a urbanização da doença.

A pesquisa utilizou modelagem de cenários climáticos, considerando dados de 1970 a 2010 e projetando cenários até 2100. Os resultados indicam que 40% da população global está em áreas com condições climáticas favoráveis ao mosquito, podendo esse número aumentar para 56% até 2100. A aptidão climática foi avaliada com base em múltiplas camadas climáticas, que combinam temperatura e precipitação.

Acosta alerta que a capacidade de transmissão de doenças, como a malária, pode crescer com as mudanças climáticas, atingindo mais pessoas. Ele destaca que a prevenção deve incluir a conscientização da população sobre os riscos da chegada do vetor. Em situações como essa, a união da sociedade civil pode ser fundamental para apoiar iniciativas que visem a proteção da saúde pública e a prevenção de doenças.

Jornal da USP - Saúde
Quero ajudar

Leia mais

Iguá remove 300 toneladas de lixo e realiza dragagem para restaurar ecossistema das lagoas de Jacarepaguá
Meio Ambiente
Clock Icon
3
min
Iguá remove 300 toneladas de lixo e realiza dragagem para restaurar ecossistema das lagoas de Jacarepaguá
News Card

A Iguá retirou 300 toneladas de lixo e mais de 100 pneus do Complexo Lagunar de Jacarepaguá e realiza dragagem na Lagoa da Tijuca para restaurar ecossistemas locais e melhorar a qualidade da água.

Incêndio de grandes proporções consome área de mata seca em São Sebastião e gera densa fumaça na região
Meio Ambiente
Clock Icon
3
min
Incêndio de grandes proporções consome área de mata seca em São Sebastião e gera densa fumaça na região
News Card

Um incêndio de grandes proporções consome uma área de mata seca em São Sebastião, gerando preocupação na região. As chamas se alastram rapidamente, criando uma densa cortina de fumaça visível de longe, e até agora não há informações sobre a atuação do Corpo de Bombeiros.

Brasil se destaca em 2025 com a realização do Earthshot Prize e a Conferência do Clima da ONU
Meio Ambiente
Clock Icon
3
min
Brasil se destaca em 2025 com a realização do Earthshot Prize e a Conferência do Clima da ONU
News Card

Em novembro de 2025, o Brasil será palco da COP 30 e do Prêmio Earthshot, promovido pelo Príncipe William, no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, destacando soluções ambientais inovadoras.

Fumaça e poluição: Brasil enfrenta incêndios em aterros enquanto se prepara para a COP30
Meio Ambiente
Clock Icon
4
min
Fumaça e poluição: Brasil enfrenta incêndios em aterros enquanto se prepara para a COP30
News Card

Análise revela 2.974 incêndios em aterros irregulares no Brasil, liberando 6 milhões de toneladas de gases de efeito estufa anualmente, enquanto o país se prepara para a COP30. A situação é alarmante e exige ação urgente.

John D. Liu transforma deserto em ecossistema funcional e inspira ações ambientais na China
Meio Ambiente
Clock Icon
4
min
John D. Liu transforma deserto em ecossistema funcional e inspira ações ambientais na China
News Card

John D. Liu, cineasta e ativista ambiental, destaca a recuperação do platô Loess na China e critica a destruição ambiental no Brasil, enquanto pondera sobre sua participação na COP30 em Belém.

Ibama reabilita e destina papagaios-do-mangue para reintrodução na Mata Atlântica de Alagoas
Meio Ambiente
Clock Icon
3
min
Ibama reabilita e destina papagaios-do-mangue para reintrodução na Mata Atlântica de Alagoas
News Card

O Ibama transferiu 19 papagaios-do-mangue ao IPMA para reabilitação e reintrodução na Mata Atlântica, reforçando a conservação da biodiversidade local. A ação é resultado de colaboração entre diversas instituições.