Meio Ambiente

Estudo revela a evolução da poluição por metais em São Paulo ao longo do século XX através de sedimentos históricos

Pesquisadores da Universidade Federal do ABC analisaram sedimentos do Lago das Garças e revelaram a evolução da poluição por metais em São Paulo ao longo do século XX. O estudo destaca a queda do chumbo após 1986, evidenciando o impacto positivo de políticas ambientais.

Atualizado em
April 10, 2025
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Lago das Garças, no Parque Estadual das Fontes do Ipiranga. Destaque para a massiva proliferação de algas na superfície e a urbanização ao fundo (foto:Tatiane Araujo de Jesus)

A poluição por metais na cidade de São Paulo foi analisada por pesquisadores que utilizaram a paleolimnologia, um método que investiga mudanças ambientais passadas através de sedimentos. O estudo, realizado no Lago das Garças, revelou um histórico de poluição ao longo do século XX, evidenciando a relação entre industrialização, crescimento populacional e aumento de poluentes. Os resultados foram publicados na revista Environmental Science and Pollution Research.

Os cientistas analisaram a concentração de oito metais, incluindo chumbo e níquel, em sedimentos que datam de aproximadamente cem anos. A coordenadora do Laboratório de Sistemas de Engenharia Ecológica da Universidade Federal do ABC, Tatiane Araujo de Jesus, destacou que o Lago das Garças foi escolhido por nunca ter sido dragado, permitindo a preservação dos registros históricos de poluição.

Os dados revelaram três períodos distintos de poluição. O primeiro, que vai até mil novecentos e cinquenta, apresentou baixas concentrações de metais, refletindo um tempo de menor impacto humano. Entre mil novecentos e cinquenta e mil novecentos e setenta e cinco, os níveis de poluentes começaram a aumentar, impulsionados por fatores como a urbanização e a instalação de indústrias na região.

O auge da poluição ocorreu entre mil novecentos e setenta e cinco e dois mil. Durante esse período, a concentração de metais como chumbo e cromo aumentou significativamente, especialmente devido ao tráfego veicular e emissões industriais. A pesquisa identificou que a maior parte da poluição metálica proveniente de veículos e indústrias estava relacionada à instalação da Rodovia dos Imigrantes em mil novecentos e setenta e quatro.

Um dos achados mais relevantes foi a diminuição dos níveis de chumbo nos sedimentos após mil novecentos e oitenta e seis, quando o Brasil proibiu o uso de gasolina com chumbo. Essa proibição teve um impacto positivo e mensurável na qualidade ambiental, conforme ressaltou Jesus. Apesar da redução do chumbo, outros metais continuaram a aumentar, indicando mudanças nos processos industriais ao longo dos anos noventa.

O estudo não apenas documentou a evolução da poluição em São Paulo, mas também ressaltou a importância dos sedimentos como indicadores ambientais. Os dados obtidos podem guiar estratégias de recuperação ambiental. A união da sociedade civil pode ser fundamental para apoiar iniciativas que visem a recuperação de áreas contaminadas e a promoção de políticas públicas mais rigorosas contra a poluição.

Agência FAPESP
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