Meio Ambiente

Pesquisadores brasileiros transformam sargaço em argila cerâmica leve, oferecendo solução sustentável para a construção civil

Pesquisadores da USP e UFSCar criaram uma argila cerâmica leve com Sargassum, visando reduzir impactos ambientais e melhorar a eficiência energética na construção civil. A inovação promete transformar um problema em solução.

Atualizado em
August 5, 2025
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Sargassum, tipo de alga, cobre a costa de uma praia em Punta Cana, na República Dominicana - Erika Santelices - 9.jul.25/Reuters

Pesquisadores brasileiros desenvolveram uma argila cerâmica leve, utilizando algas do gênero Sargassum, que se acumulam nas praias do Caribe e do Brasil. Essas algas, conhecidas como sargaço, têm se tornado um problema ambiental, emitindo gases nocivos durante a decomposição e afetando o turismo e a biodiversidade local. O professor João Adriano Rossignolo, da Universidade de São Paulo (USP), coordenou o estudo que busca aproveitar essa biomassa em vez de descartá-la em aterros sanitários.

Em colaboração com a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), o grupo da USP testou a adição de Sargassum na fabricação de argilas cerâmicas, que são utilizadas na construção civil. As algas foram incorporadas nas proporções de 20% e 40%, além de uma amostra controle com 0%. As amostras foram moldadas e sinterizadas a temperaturas de 800°C, 900°C e 1.000°C, utilizando fornos convencionais e de micro-ondas.

Os pesquisadores realizaram ensaios para avaliar a absorção de água, porosidade e resistência à compressão dos materiais. Os resultados, publicados no Journal of Materials in Civil Engineering, mostraram que a adição de sargaço reduziu a densidade aparente dos agregados, especialmente na concentração de 40%. Contudo, apenas os materiais sinterizados em forno de micro-ondas atenderam aos requisitos de resistência para todas as temperaturas testadas.

Além disso, a análise do ciclo de vida dos materiais revelou que as versões com Sargassum apresentaram melhor desempenho ambiental em comparação à argila expandida convencional. Os pesquisadores concluíram que os agregados de argila cerâmica leve com sargaço são uma alternativa viável para mitigar os impactos negativos das algas nas praias, promovendo um uso mais sustentável dos recursos naturais.

O grupo também avaliou a possibilidade de utilizar Sargassum na produção de painéis particulados e telhas de fibrocimento, substituindo o calcário por cinzas da alga. Os resultados foram promissores, permitindo a utilização de até 30% de sargaço nos painéis e a substituição total do calcário, atendendo às normas vigentes e melhorando a durabilidade dos materiais.

Essa pesquisa não apenas oferece uma solução inovadora para o problema do acúmulo de Sargassum, mas também abre caminho para iniciativas que podem beneficiar a sociedade. Projetos que buscam explorar e desenvolver tecnologias sustentáveis como essa merecem apoio e incentivo da comunidade, pois podem transformar desafios ambientais em oportunidades de inovação e desenvolvimento.

Folha de São Paulo
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