Impacto Social

Nei Lopes inspira esperança e reflexão sobre samba e religiosidade na Flip 2025

Nei Lopes, aos 83 anos, lançou o "Dicionário de direitos humanos e afins" na Flip 2025, criticando a atual lógica do carnaval e destacando a importância da convivência comunitária. Ele também trabalha em uma autobiografia e uma obra sobre religiões afro-americanas.

Atualizado em
August 2, 2025
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Nei Lopes na Flip 2025 — Foto: Alexandre Cassiano/Agência O Globo

Nei Lopes, sambista e autor carioca, lançou seu novo livro, "Dicionário de direitos humanos e afins", durante a Flip 2025. Com seus 83 anos e mais de 500 sambas compostos, ele foi recebido com aplausos de pé ao abrir a programação do evento. A mesa, intitulada "Senhora liberdade", homenageou uma de suas canções mais icônicas e contou com a mediação de Luiz Antonio Simas.

Durante a conversa, Lopes expressou otimismo sobre o futuro do Brasil, afirmando: "Daqui a pouco o Brasil vai ter jeito." Ele compartilhou histórias de sua vida, incluindo sua trajetória acadêmica como o primeiro da família a frequentar a universidade, destacando o apoio de seus irmãos. Lopes também mencionou que seu pai nasceu antes da abolição da escravidão, o que enriquece sua perspectiva sobre a história da diáspora africana.

Além da autobiografia em desenvolvimento, Lopes está escrevendo uma obra sobre religiões afro-americanas, com foco no Caribe. Ele afirmou: "Resolvi mergulhar com bastante profundidade no mar das religiosidades da Afro-América." O autor criticou a representação do vodu, questionando a forma como Hollywood distorceu essa religiosidade, e enfatizou que "não existe religião boa, religião ruim."

Nei Lopes também abordou a atual situação do carnaval, criticando a colonização das escolas de samba. Segundo ele, a essência do carnaval, que promovia a convivência comunitária, foi perdida. "Carnaval é uma coisa, samba é outra," disse, lamentando que as pessoas hoje vão às escolas de samba mais para serem vistas do que para participar ativamente.

O sambista ressaltou a importância da convivência, afirmando que "o que está faltando, nos meus modestos 83 anos, é convivência." Sua visão crítica sobre a transformação do carnaval reflete uma preocupação com a perda de laços comunitários que antes eram celebrados durante as festividades. Lopes acredita que a verdadeira essência do samba deve ser resgatada.

Iniciativas que promovem a cultura e a convivência comunitária são essenciais para revitalizar tradições como o carnaval. A união em torno de projetos culturais pode ajudar a resgatar a essência do samba e fortalecer laços sociais, promovendo um ambiente mais inclusivo e participativo. Essa é uma oportunidade para a sociedade civil se mobilizar e apoiar causas que valorizem a cultura popular.

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