Pesquisadores da UFMG e UFLA criaram um curativo inovador a partir de resíduos pesqueiros, prometendo acelerar a cicatrização e reduzir custos no SUS. A tecnologia visa substituir bandagens importadas e minimizar a dor no tratamento de feridas graves.

Pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Universidade Federal de Lavras (UFLA) desenvolveram um curativo inovador a partir de resíduos da indústria pesqueira. Este curativo tem a capacidade de acelerar a cicatrização de feridas graves e é uma alternativa às bandagens importadas utilizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A tecnologia local visa reduzir custos e melhorar o tratamento de feridas, especialmente em casos críticos como queimaduras de terceiro grau e úlceras por pressão.
O novo curativo, conhecido como CH50BGF, se destaca pela alta capacidade de absorção de exsudatos, líquidos que surgem durante o processo de cicatrização. Nos testes laboratoriais, o curativo demonstrou uma absorção de até 160% em 24 horas, superando diversos produtos comerciais. Essa eficiência é atribuída à combinação de quitosana, um polímero natural, e micropartículas de vidro bioativo, que também ajudam a inibir infecções.
Além de sua eficácia, o curativo inovador promete proporcionar menos dor durante as trocas. A pesquisadora Talita Martins explica que, ao contrário das bandagens têxteis que podem grudar na ferida, o curativo em forma de espuma pode ser adaptado para diferentes níveis de secreção, reduzindo a necessidade de trocas frequentes. Isso é especialmente importante para pacientes diabéticos, que enfrentam um risco elevado de complicações e amputações devido a feridas não cicatrizadas.
Os pesquisadores também levantaram dados sobre os custos das bandagens importadas, que somaram R$ 57 milhões entre 2023 e 2024 no Pará. No entanto, não há informações consolidadas sobre os gastos do SUS com esses insumos em todo o Brasil. O novo curativo, que atualmente custa entre R$ 20 e R$ 30 por unidade, pode se tornar ainda mais acessível se produzido em larga escala.
A pesquisa, que começou há dez anos sob a orientação da professora Marivalda M. Pereira, conta com a colaboração de uma empresa de Santa Catarina, que fornece resíduos pesqueiros gratuitamente. Essa parceria é fundamental para a produção do curativo, que não apenas utiliza materiais sustentáveis, mas também busca garantir a independência nacional em relação a insumos médicos.
Com a expectativa de iniciar testes clínicos em humanos, os pesquisadores visam validar a produção comercial do curativo. Projetos como esse devem ser apoiados pela sociedade civil, pois podem transformar a realidade de muitos pacientes que necessitam de tratamentos mais acessíveis e eficazes. A união em torno de iniciativas inovadoras pode fazer a diferença na vida de quem mais precisa.

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