Impacto Social

Planos de saúde privados começam a atender pacientes do SUS em programa do Ministério da Saúde

O programa "Agora Tem Especialistas" permitirá que planos de saúde privados atendam pacientes do SUS em troca da quitação de dívidas, com adesão voluntária a partir de 11 de agosto. A iniciativa busca reduzir filas em áreas críticas como oncologia e ginecologia, utilizando a estrutura privada para ampliar o acesso à saúde.

Atualizado em
August 1, 2025
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Como parte do Agora Tem Especialistas, planos de saúde poderão trocar dívidas por atendimento a pacientes do SUS. — Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A partir de agosto de 2025, pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) poderão ser atendidos gratuitamente por planos de saúde privados através do programa "Agora Tem Especialistas", do Ministério da Saúde. A iniciativa, anunciada na última segunda-feira, permitirá que as operadoras de saúde troquem dívidas com o governo pela prestação de serviços aos usuários da rede pública. O edital com as regras para adesão voluntária será publicado em 4 de agosto, e o cadastro para as operadoras começará em 11 de agosto.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que a medida visa reduzir as longas filas de espera em áreas críticas como oncologia e ginecologia. Após a adesão dos planos, o ministério avaliará se os serviços oferecidos atendem às necessidades dos estados e municípios. A expectativa é que os primeiros atendimentos ocorram ainda em agosto, com a participação de operadoras que realizem mais de 100 mil atendimentos mensais.

Atualmente, a dívida dos planos de saúde com o governo é estimada em R$ 1,3 bilhão. Com a nova proposta, espera-se que R$ 750 milhões sejam quitados até 2025, através da oferta de serviços ao SUS. Ligia Bahia, professora do Instituto de Estudos em Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), considera a iniciativa positiva, já que as dívidas frequentemente são judicializadas e se tornam ativos financeiros.

O programa também estabelece critérios rigorosos para a adesão, como a comprovação de capacidade técnica e operacional. As operadoras que desejarem participar devem atender a uma matriz de oferta que corresponda às demandas do SUS. A divisão dos atendimentos será proporcional às regiões do país, priorizando áreas com maior carência de serviços especializados.

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) garantiu que haverá mecanismos de fiscalização para evitar que as operadoras deixem de atender seus clientes em favor do SUS. Apesar de especialistas verem a proposta como uma evolução na integração dos sistemas de saúde, desafios permanecem, como a dificuldade de precificação dos serviços e a adesão dos planos, que historicamente têm resistido ao ressarcimento ao SUS.

Essa nova abordagem pode ser um passo importante para melhorar o acesso à saúde no Brasil. Em situações como essa, a união da sociedade civil pode fazer a diferença, apoiando iniciativas que busquem garantir atendimento de qualidade e dignidade para todos os cidadãos, especialmente aqueles que dependem do SUS.

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