Estudos recentes indicam que a prevenção da demência deve começar na infância, pois fatores de risco se desenvolvem cedo. A abordagem deve ser coordenada e focar em ambientes saudáveis e educação.

Mais de sessenta milhões de pessoas vivem com demência no mundo, resultando em aproximadamente um milhão e quinhentas mil mortes anuais e um custo global de saúde de cerca de um trilhão e trezentos bilhões de dólares. Apesar de anos de pesquisa e investimentos significativos, a demência ainda não possui cura. A prevenção é uma questão central, levando especialistas a questionar se é possível prevenir a doença e, em caso afirmativo, a partir de que idade devem ser iniciadas as medidas preventivas.
Estudos indicam que fatores de risco para demência podem se desenvolver desde a infância. A abordagem tradicional foca na meia-idade, entre quarenta e sessenta anos, para a implementação de estratégias de prevenção. No entanto, especialistas sugerem que intervenções em idades mais jovens podem ser ainda mais eficazes. Isso se deve ao fato de que muitos comportamentos de risco, como obesidade e sedentarismo, se estabelecem durante a adolescência e persistem na vida adulta.
Dados mostram que cerca de oitenta por cento dos adolescentes obesos continuarão a ser obesos na fase adulta. Além disso, a maioria dos fumantes e consumidores de álcool inicia esses hábitos na adolescência. Portanto, focar na prevenção durante a infância e adolescência pode ser crucial para evitar a exposição a esses fatores de risco ao longo da vida.
Pesquisas recentes sugerem que a exposição a fatores de risco na infância, e até mesmo durante a gestação, pode influenciar o risco de demência na vida adulta. Estudos de longo prazo indicam que a capacidade cognitiva na infância é um forte preditor da capacidade cognitiva na velhice. Assim, as diferenças observadas em adultos mais velhos podem ter raízes que remontam à infância, reforçando a importância de intervenções precoces.
Para implementar uma prevenção eficaz, é necessário um esforço coordenado que inclua ambientes mais saudáveis, educação de qualidade e políticas públicas eficazes. A medicação em massa não é a solução, mas sim uma abordagem que considere as necessidades individuais e coletivas. A mensagem é clara: nunca é tarde demais para agir, mas também nunca é cedo demais para começar a cuidar da saúde cerebral.
Nesta perspectiva, iniciativas que promovam a saúde desde a infância devem ser apoiadas pela sociedade. A união em torno de projetos que visem melhorar a qualidade de vida e a saúde mental das futuras gerações pode fazer uma diferença significativa. A mobilização da comunidade em torno dessas causas é essencial para garantir um futuro mais saudável para todos.

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