Impacto Social

Restaurante Popular de Florianópolis fecha e exclui atendimento a pessoas em situação de rua

Restaurante Popular de Florianópolis, fechado há mais de dois meses, reabrirá como "restaurante da família", excluindo pessoas em situação de rua, gerando críticas da Defensoria Pública e da comunidade.

Atualizado em
May 2, 2025
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Restaurante Popular em Florianópolis (SC), mantido pela prefeitura, está há mais de dois meses fechado - Reprodução/DPE-SC

O Restaurante Popular de Florianópolis, que atendia principalmente pessoas em situação de rua, permanece fechado há mais de dois meses. A prefeitura local não apresentou alternativas adequadas para o atendimento desse público. A Secretaria de Assistência Social planeja reabrir o espaço como um "restaurante da família", excluindo os usuários em situação de vulnerabilidade, o que gerou críticas da Defensoria Pública e da comunidade.

Atualmente, a única opção para pessoas sem moradia é a Passarela da Cidadania, um espaço de acolhimento que oferece pernoite e refeições. Contudo, a Defensoria Pública do Estado de Santa Catarina aponta que a prefeitura não ampliou a capacidade desse local para atender a demanda que antes era suprida pelo Restaurante Popular. Além disso, trabalhadores de baixa renda e estudantes também ficaram sem alternativas durante o fechamento do restaurante.

A Secretaria de Assistência Social não informou uma data para a reabertura do restaurante. A Defensoria recorreu à Justiça Estadual para que o município restabelecesse o serviço, mas a liminar foi negada. O secretário Bruno Souza, em um vídeo publicado nas redes sociais, pediu apoio da população para transformar o restaurante em um espaço voltado para famílias carentes, alegando que a mudança é necessária para evitar conflitos que afastaram outros frequentadores.

De acordo com a nota da secretaria, a decisão de direcionar a população em situação de rua para a Passarela se baseia em desentendimentos frequentes que ocorreram nas imediações do restaurante. A defensora pública Ana Paula Fão Fischer criticou a falta de planejamento na decisão, afirmando que a precariedade das políticas públicas se torna evidente em situações como essa, gerando insatisfação entre moradores e comerciantes da região.

A Passarela da Cidadania, embora ofereça abrigo e refeições, não é vista como uma alternativa segura por muitos. A defensora destacou que o local enfrenta problemas como uso de drogas e furtos, o que gera receio entre os usuários. A Secretaria de Assistência Social afirma que oferece quatrocentas refeições por turno, mas não mencionou a necessidade de ampliação do atendimento.

O Comitê Intersetorial de Acompanhamento e Monitoramento da Política Nacional para a População em Situação de Rua recomendou a manutenção do Restaurante Popular para esse público, mas não recebeu resposta da prefeitura. A situação atual evidencia a necessidade de apoio e iniciativas que possam garantir a dignidade e os direitos da população vulnerável. Nessa conjuntura, a união da sociedade pode ser fundamental para promover melhorias e garantir que todos tenham acesso a serviços essenciais.

Folha de São Paulo
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