Saúde e Ciência

Traumas na infância estão ligados a um terço dos transtornos mentais em adolescentes, revela estudo da USP

Um estudo da USP revela que traumas na infância estão ligados a um terço dos transtornos mentais em adolescentes. A pesquisa, publicada no The Lancet Global Health, analisou 4.229 jovens e encontrou que 81,2% vivenciaram traumas até os 18 anos. A pesquisa destaca a necessidade de intervenções precoces para reduzir o impacto desses transtornos.

Atualizado em
April 23, 2025
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Uma pesquisa realizada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), em colaboração com a Universidade de Bath, no Reino Unido, revelou que um terço dos diagnósticos de transtornos mentais em adolescentes está relacionado a traumas na infância. Publicados em fevereiro no The Lancet Global Health, os resultados foram obtidos a partir da análise de dados de quatro mil duzentos e vinte e nove adolescentes da Coorte de Nascimentos de Pelotas de dois mil e quatro, que acompanha a saúde de indivíduos desde o nascimento.

Os pesquisadores avaliaram diagnósticos psiquiátricos, como ansiedade, alterações de humor, déficit de atenção e hiperatividade, transtornos de conduta e de oposição, aos quinze e dezoito anos. O estudo identificou que, até os dezoito anos, oitenta e um vírgula dois por cento dos jovens já haviam vivenciado alguma situação traumática, e essas experiências foram responsáveis por trinta vírgula seis por cento dos transtornos psiquiátricos nessa faixa etária.

A pediatra Alicia Matijasevich, professora associada da USP e uma das autoras do estudo, destacou que a adolescência é um período crítico para o desenvolvimento da saúde mental, quando muitos transtornos emergem ou se agravam. Embora estudos anteriores em países desenvolvidos já tenham indicado a relação entre traumas na infância e transtornos mentais, a literatura sobre o tema em países de média e baixa renda ainda é escassa.

O estudo analisou a exposição a doze tipos de trauma, incluindo acidentes graves, incêndios, desastres naturais, violência doméstica e abuso físico ou sexual. A pesquisa também ressaltou que, em países de média e baixa renda, a prevalência de adversidades na infância é maior, enquanto os serviços de saúde mental são mais limitados, o que agrava o impacto dessas experiências.

Os transtornos de conduta e oposição, ansiedade e humor foram os mais comuns entre os adolescentes avaliados. Os transtornos de conduta são caracterizados por desobediência e agressividade, enquanto os transtornos de ansiedade envolvem medo excessivo e preocupação persistente. Já os transtornos de humor incluem condições como depressão e transtorno afetivo bipolar, que afetam significativamente o bem-estar e a funcionalidade dos jovens.

Os resultados do estudo são fundamentais para a identificação precoce de adolescentes em risco de desenvolver transtornos mentais, especialmente em contextos vulneráveis. A pesquisa sugere que a prevenção e a intervenção precoce podem ter um impacto significativo na redução da carga desses transtornos. Em situações como essa, a união da sociedade pode ser crucial para apoiar iniciativas que ajudem a mitigar os efeitos de traumas na infância e promover a saúde mental dos jovens.

Globo.com
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