Meio Ambiente

Zooplâncton: os pequenos heróis que combatem o aquecimento global nas profundezas do Oceano Antártico

Uma pesquisa recente revela que o zooplâncton, ao migrar para as profundezas do Oceano Antártico, retém carbono equivalente às emissões de 55 milhões de carros, desafiando sua subvalorização ecológica. Cientistas alertam para as ameaças que esses organismos enfrentam devido ao aquecimento global e à pesca comercial.

Atualizado em
July 28, 2025
Clock Icon
4
min
O zooplâncton costuma ser vendido como alimento para aquários, mas tem uma importância fundamental em frear o aquecimento global — Foto: Professor Daniel J. Mayor @oceanplankton

Uma nova pesquisa revela que o zooplâncton, um organismo marinho frequentemente ignorado, desempenha um papel crucial no combate ao aquecimento global. Ao migrar para as profundezas do Oceano Antártico, esses pequenos seres retêm grandes quantidades de carbono, o que equivale às emissões anuais de cerca de 55 milhões de carros. Essa descoberta desafia a visão tradicional sobre a importância ecológica do zooplâncton, que até então era visto principalmente como alimento para peixes.

Os zooplânctons, como os copépodes, se alimentam intensamente na primavera e, em seguida, mergulham a centenas de metros de profundidade, onde queimam gordura. Esse processo, descrito como "bomba de migração vertical sazonal", transporta aproximadamente 65 milhões de toneladas de carbono para as profundezas do oceano anualmente. Essa quantidade é significativa, pois ajuda a evitar que o dióxido de carbono (CO₂) retorne à atmosfera e contribua para o aquecimento global.

Pesquisadores, como Guang Yang, da Academia Chinesa de Ciências, consideram os resultados da pesquisa "extraordinários". Eles ressaltam que a quantidade de carbono armazenada no Oceano Antártico é muito maior do que se imaginava. A coautora do estudo, Jennifer Freer, do British Antarctic Survey, destaca o modo de vida fascinante desses "heróis anônimos" que, apesar de sua importância, permanecem pouco valorizados em comparação com animais mais conhecidos, como baleias e pinguins.

Os oceanos absorvem cerca de noventa por cento do excesso de calor gerado pelas atividades humanas, e o Oceano Antártico é responsável por cerca de quarenta por cento desse total, em grande parte devido ao zooplâncton. A pesquisa, que analisou dados desde a década de 1920, busca entender melhor como esses organismos armazenam carbono e como suas migrações afetam o clima.

Entretanto, o futuro do zooplâncton enfrenta ameaças, como o aquecimento das águas e a pesca comercial do krill. O professor Angus Atkinson, do Laboratório Marinho de Plymouth, alerta que as mudanças climáticas e as condições meteorológicas extremas podem reduzir a população de zooplâncton na Antártida, limitando assim a capacidade de armazenamento de carbono nos oceanos.

Compreender a importância do zooplâncton é fundamental para a luta contra as mudanças climáticas. A pesquisa deve ser incorporada aos modelos climáticos para prever o aquecimento do planeta. Projetos que visam proteger esses organismos e seu habitat são essenciais para garantir que continuem a desempenhar seu papel vital na regulação do clima. A união da sociedade civil pode ser um fator decisivo para apoiar iniciativas que promovam a conservação do zooplâncton e, consequentemente, a saúde do nosso planeta.

G1 - Meio Ambiente
Quero ajudar

Leia mais

Cerrado enfrenta grave crise hídrica com redução de 27% na vazão dos rios desde a década de 1970
Meio Ambiente
Clock Icon
3
min
Cerrado enfrenta grave crise hídrica com redução de 27% na vazão dos rios desde a década de 1970
News Card

Estudo revela que a vazão dos rios do cerrado caiu 27% desde a década de 1970, resultando em uma grave crise hídrica. O desmatamento e as mudanças climáticas são os principais responsáveis pela redução.

Niterói avança na sustentabilidade com a construção do parque solar Encosta Verde e captação de água da chuva
Meio Ambiente
Clock Icon
4
min
Niterói avança na sustentabilidade com a construção do parque solar Encosta Verde e captação de água da chuva
News Card

A Prefeitura de Niterói inicia a construção do parque solar Encosta Verde, que instalará 450 painéis solares e gerará 150 mil kWh de energia limpa, promovendo sustentabilidade e reflorestamento na comunidade. Com investimento de R$ 7,7 milhões, a obra deve ser concluída no segundo semestre de 2025.

Incêndios em lixões brasileiros liberam milhões de toneladas de gases poluentes e afetam a saúde pública
Meio Ambiente
Clock Icon
4
min
Incêndios em lixões brasileiros liberam milhões de toneladas de gases poluentes e afetam a saúde pública
News Card

Análise revela 2.974 focos de incêndio em 740 lixões no Brasil, emitindo 6 milhões de toneladas de gases de efeito estufa anualmente, enquanto a COP30 se aproxima e a situação persiste sem controle.

Mudanças climáticas causam estragos no Brasil e ameaçam a vida de milhões até 2030
Meio Ambiente
Clock Icon
4
min
Mudanças climáticas causam estragos no Brasil e ameaçam a vida de milhões até 2030
News Card

Mudanças climáticas no Brasil em 2024 intensificaram secas na Amazônia e enchentes no Sul, resultando em prejuízos de R$ 620 milhões e aumento nos preços de produtos como café e castanha. Comunidades vulneráveis enfrentam crises severas.

Passeio pela mata em Jacarepaguá destaca a importância da preservação ambiental e a criação de nova unidade de conservação
Meio Ambiente
Clock Icon
4
min
Passeio pela mata em Jacarepaguá destaca a importância da preservação ambiental e a criação de nova unidade de conservação
News Card

A Associação de Moradores e Amigos da Freguesia (Amaf) realizará um passeio pela mata no primeiro domingo de junho, promovendo a campanha Floresta em Pé Jacarepaguá. O evento visa sensibilizar a população sobre a importância da preservação ambiental e a criação de uma nova unidade de conservação na região. A concentração será às 8h, com trilha de 1,5 km, e a caminhada será adiada em caso de chuva. A iniciativa segue um estudo técnico que confirma a viabilidade do projeto, que será apresentado em audiência pública.

Águas do oceano antártico se tornam mais salgadas e impactam ecossistemas e clima global
Meio Ambiente
Clock Icon
4
min
Águas do oceano antártico se tornam mais salgadas e impactam ecossistemas e clima global
News Card

Pesquisas indicam que as águas do oceano antártico estão se tornando mais salgadas, o que pode intensificar o aquecimento global e ameaçar a vida marinha, incluindo pinguins e focas. O aumento da salinidade provoca uma troca de calor que acelera o derretimento das calotas de gelo, resultando na formação de mais icebergs. Isso afeta diretamente espécies que dependem do gelo, como a foca-caranguejeira e o pinguim-imperador, cuja população já sofreu perdas significativas. Além disso, a mudança impacta a biodiversidade e a economia da costa brasileira, afetando a pesca e a cadeia alimentar local.