Impacto Social

A internet amplifica a misoginia entre a geração Alfa e molda a subjetividade dos jovens homens

Meninos da geração Alfa enfrentam crescente exposição a conteúdos misóginos nas redes sociais, resultando em uma escalada de ódio contra meninas e uma crise na masculinidade. Especialistas alertam para a necessidade de uma mudança coletiva nas relações de gênero e na educação emocional.

Atualizado em
August 1, 2025
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Ksenia Makagonova

A crescente influência das redes sociais na formação da identidade de jovens, especialmente meninos da geração Alfa, tem gerado preocupações. Estudos recentes indicam que esses jovens estão cada vez mais expostos a conteúdos misóginos, resultando em uma escalada de ódio contra meninas e uma crise na masculinidade. A psicanalista Vera Iaconelli destaca que as redes sociais exploram as inseguranças dos adolescentes, levando muitos meninos a se unirem em torno de um inimigo comum: as mulheres.

Bruna Della Torre, pesquisadora da Universidade de Heidelberg, ressalta que o algoritmo das redes sociais prioriza conteúdos que geram engajamento, e o ódio se tornou um produto lucrativo. Comunidades como os incels e o movimento red pill oferecem respostas simplistas para as confusões emocionais enfrentadas por muitos meninos, alimentando um ecossistema de desinformação e misoginia. O TikTok, por exemplo, foi um dos domínios mais denunciados por conteúdos de violência contra mulheres nos últimos anos.

Os adolescentes, ao invés de buscar apoio em pais ou professores, confiam mais nas redes sociais, moldando sua subjetividade de maneira preocupante. A pesquisa indica que a violência de gênero, embora não seja nova, está se intensificando entre os mais jovens, muitas vezes influenciada por adultos próximos. O avanço dos movimentos feministas tem gerado reações conservadoras entre os homens, que se sentem ameaçados pela emancipação feminina.

A criação de meninos e meninas também apresenta diferenças significativas. Enquanto os meninos são incentivados a olhar para fora, desenvolvendo habilidades sociais, as meninas são orientadas a se preocupar com sua aparência e comportamento. Essa disparidade resulta em perdas para ambos os lados, com meninos crescendo sem espaço para expressar suas emoções. O terapeuta Fábio Manzoli destaca a importância do acolhimento emocional, permitindo que meninos se sintam seguros e afetivos.

A repressão emocional pode explicar o aumento das manifestações de ódio contra meninas. Para reverter esse cenário, Iaconelli defende que a mudança deve ser coletiva, envolvendo políticas públicas e campanhas de conscientização. Escolas e famílias têm um papel crucial em não reproduzir padrões violentos e em promover uma masculinidade saudável. É essencial que as plataformas digitais sejam responsabilizadas por proteger os jovens de conteúdos prejudiciais.

Além disso, é fundamental mudar as narrativas que moldam a socialização de gênero, criando conteúdos que valorizem o afeto e a empatia. A reeducação emocional dos meninos é uma esperança para superar desafios como o ódio contra meninas. Nessa situação, nossa união pode ajudar a promover iniciativas que incentivem o diálogo e a compreensão entre os gêneros, contribuindo para um futuro mais igualitário e respeitoso.

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