Impacto Social

Anna Bella Geiger repete performance emblemática e provoca reflexão sobre a fome no Brasil atual

Anna Bella Geiger, artista de 92 anos, reviveu sua performance "O Pão Nosso de Cada Dia", evidenciando a persistente miséria no Brasil. Sua obra será celebrada em uma retrospectiva no Museu Judaico de São Paulo.

Atualizado em
June 9, 2025
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A artista Anna Bella Geiger em sua performance 'O Pão Nosso de Cada Dia' - Denise Andrade/Divulgação

Anna Bella Geiger, artista de 92 anos, repetiu sua performance "O Pão Nosso de Cada Dia", que critica a desigualdade e a fome no Brasil. O evento ocorreu recentemente, refletindo sobre a continuidade da miséria no país, que ainda persiste desde a época da ditadura militar. A performance, que envolve a artista mordendo um pedaço de pão, simboliza a indigência e a luta contra a fome, sendo um ato que já havia realizado no final da década de 1970.

Durante a apresentação, Geiger se sentou em silêncio, enquanto uma jovem lhe trouxe um pedaço de pão. O ato, que durou cerca de 20 minutos, foi marcado por uma trilha sonora composta por sons do público, como tosses e barrigas roncando. Ao final, a artista ergueu o pão mordido, que apresentava um buraco no formato do mapa do Brasil, simbolizando a fome que ainda aflige o país.

Geiger, filha de imigrantes judeus poloneses, lembrou que seu marido foi preso durante a ditadura e que ela enfrentou a solidão de ser mãe de quatro filhos. Quase cinquenta anos depois, sua performance continua relevante, refletindo a persistência da desigualdade e da miséria no Brasil. O ato de devorar o pão se torna um símbolo da luta contra a fome, que ainda é uma realidade para muitos brasileiros.

A performance de Geiger ressoa em um contexto mais amplo, onde a memória da ditadura militar e os escândalos de corrupção da década de 1980 ainda estão presentes na sociedade. A nova versão da novela "Vale Tudo" e a exposição "Fullgás", que celebra a Geração 80, trazem à tona questões sobre a desigualdade e a busca por um país melhor. A canção "Anna Bella", de Antonio Cicero, também foi lembrada, reforçando a conexão entre arte e crítica social.

O Museu Judaico de São Paulo inaugurará uma retrospectiva da obra de Anna Bella Geiger, com cerca de 60 obras que abrangem seis décadas de sua carreira. A exposição incluirá gravuras, vídeos e fotografias, permitindo que o público conheça a trajetória de uma artista que sempre usou sua arte para abordar questões sociais e políticas.

Neste momento, é fundamental que a sociedade civil se una para apoiar iniciativas que promovam a arte e a cultura, assim como projetos que ajudem a combater a fome e a desigualdade. A união em torno de causas sociais pode fazer a diferença na vida de muitos brasileiros que ainda enfrentam dificuldades.

Folha de São Paulo
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