Meio Ambiente

Arqueólogos recriam receita de pão de cinco mil anos encontrado na Turquia e resgatam herança cultural

Arqueólogos descobriram um pão carbonizado de cinco mil anos na Turquia, levando a padaria de Eskisehir a recriar a receita, esgotando rapidamente a produção de 300 pães diários.

Atualizado em
June 2, 2025
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Esta fotografia mostra o pão Kulluoba, um pão de 5.000 anos descoberto em uma escavação arqueológica na província de Eskisehir, na Turquia central — Foto: Yasin AKGUL / AFP

No início da Idade do Bronze, um pedaço de pão foi encontrado carbonizado sob uma casa na atual Turquia, datando de aproximadamente cinco mil anos. Arqueólogos desenterraram o pão em setembro de dois mil e vinte e quatro, revelando que ele foi preservado devido ao seu enterramento e ao processo de queima. Murat Türkteki, arqueólogo responsável pela escavação em Küllüoba, destacou que este é o pão assado mais antigo já descoberto, mantendo sua forma original.

O pão, que possui cerca de doze centímetros de diâmetro e é redondo e achatado, foi encontrado em uma área onde a civilização anatólia de Küllüoba se estabeleceu. Essa civilização, que viveu na região de Eskisehir, é envolta em mistérios, incluindo o hábito de enterrar casas antes de se mudar. Os hatianos, um povo que precedeu os hititas, habitavam a região durante a Idade do Bronze, e a escavação revelou uma organização social e econômica complexa.

Análises do pão indicaram que ele era feito com sementes de lentilha e farinha de espelta, um trigo antigo, além de um fermento proveniente de uma planta ainda não identificada. O pão carbonizado está exposto no Museu Arqueológico de Eskisehir, e a prefeita da cidade, Ayse Ünlüce, expressou seu desejo de recriar a receita original. Como o trigo espelta não está mais disponível na Turquia, a prefeitura optou por usar trigo Kavilca, bulgur e lentilhas para a produção do pão.

Desde a semana passada, a padaria municipal Halk Ekmek tem produzido manualmente trezentos pães de Küllüoba por dia. A combinação dos ingredientes resulta em um pão nutritivo, com baixo teor de glúten e sem conservantes. Os primeiros pães, vendidos a cinquenta liras turcas (cerca de um dólar e vinte e oito centavos), esgotaram rapidamente, gerando grande expectativa entre os consumidores, como relatou uma cliente que estava ansiosa para experimentar o sabor do pão antigo.

Ayse Ünlüce ressaltou a importância de preservar essa herança cultural e a necessidade de aprender com os ancestrais, especialmente em um momento de crise climática que afeta a região. A prefeita enfatizou a relevância de cultivar variedades de trigo que sejam mais resistentes à seca, como o Kavilca, e a importância de implementar políticas públicas que incentivem essa prática.

Essa descoberta não apenas resgata um aspecto importante da história alimentar da região, mas também serve como um lembrete sobre a importância de práticas agrícolas sustentáveis. A união da comunidade pode ser fundamental para revitalizar o cultivo de grãos antigos e promover a preservação cultural, garantindo que essa herança seja passada para as futuras gerações.

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