Saúde e Ciência

Aumento alarmante de alergias alimentares e respiratórias desafia saúde pública no Brasil e no mundo

Internações por choque anafilático no Brasil dobraram na última década, com aumento de 42,1% nas consultas a alergistas entre 2019 e 2022. Novas terapias de dessensibilização oral mostram resultados promissores.

Atualizado em
June 3, 2025
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Reações alérgicas graves. — Foto: FreePik

Alergias, tanto respiratórias quanto alimentares, são um problema crescente em todo o mundo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que até 40% da população global sofra de algum tipo de alergia. No Brasil, a situação é alarmante: o número de internações por choque anafilático dobrou na última década, com um total de 1.143 casos registrados em 2024, um aumento de 107% em relação a 2015. Além disso, as consultas a alergistas e imunologistas cresceram 42,1% entre 2019 e 2022, alcançando três milhões de atendimentos na rede privada.

Lucila Camargo Lopes de Oliveira, diretora da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai), aponta que cerca de 4% da população brasileira vive com alergia alimentar, enquanto 30% sofrem de alergias respiratórias. Essas condições podem se interligar, já que o sistema imunológico que causa as reações alérgicas é o mesmo, independentemente do agente. Fatores como alimentação ultraprocessada, poluição e mudanças climáticas estão contribuindo para o aumento das alergias, criando lesões nas mucosas que recebem alérgenos.

A alergista Carolina Aranda, do Grupo Fleury, destaca que a prevalência de reações alérgicas a alimentos, como castanhas e frutas, está aumentando. Práticas como parto cesárea, uso excessivo de antibióticos na infância e a falta de contato com a natureza também elevam o risco de desenvolvimento de alergias. Estudos mostram que crianças que convivem com animais têm menor probabilidade de desenvolver alergias alimentares.

O problema não é exclusivo do Brasil. No Reino Unido, admissões hospitalares por anafilaxia alimentar triplicaram entre 1998 e 2018. Uma revisão de estudos na Itália revelou um aumento na prevalência da rinite alérgica em crianças, passando de 8% para 20% entre 2016 e 2022. A pesquisadora Theresa MacPhail observa que as mudanças no estilo de vida não foram acompanhadas pela evolução do sistema imunológico humano, que ainda reage de forma exagerada a alérgenos.

Apesar do aumento das alergias, a medicina avança em tratamentos. A terapia de dessensibilização oral, que tem mostrado resultados positivos em adultos, envolve a ingestão gradual de alimentos alergênicos. Um estudo do King's College London revelou que 67% dos participantes conseguiram consumir amendoins sem reações adversas após o tratamento. Embora a dessensibilização tenha riscos, novas abordagens, como adesivos e injeções, estão sendo desenvolvidas para melhorar a segurança dos pacientes.

Os especialistas ressaltam que, embora as alergias alimentares possam impactar significativamente a qualidade de vida, há esperança com os novos tratamentos. A conscientização sobre a importância do convívio com a natureza e práticas saudáveis pode ajudar a reduzir a incidência de alergias. Nessa situação, nossa união pode ajudar os menos favorecidos, promovendo iniciativas que apoiem a pesquisa e o tratamento de alergias, beneficiando aqueles que mais precisam.

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