Impacto Social

Aumento de 68% nas denúncias de abandono de idosos revela a fragilidade da proteção social no Distrito Federal

Aumento de 68% nas denúncias de abandono e maus-tratos a idosos no Distrito Federal revela a vulnerabilidade dessa população, com casos alarmantes de violência familiar e negligência. A Delegacia Especial de Repressão aos Crimes contra a Pessoa Idosa alerta para a importância da denúncia.

Atualizado em
July 14, 2025
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Violência contra idosos Cidades 1307 - (crédito: Caio Gomez)

Nos últimos dois anos, o Distrito Federal registrou uma média de trinta e cinco denúncias diárias de abandono de idosos. Entre os casos mais alarmantes, destaca-se o resgate de uma mulher de oitenta e um anos e sua filha de cinquenta e dois, encontradas em condições degradantes no Setor Leste, Gama. O número total de denúncias saltou de sete mil seiscentas e noventa e três para doze mil novecentas e trinta e duas, representando um aumento de sessenta e oito por cento, conforme dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.

A realidade de muitos idosos no DF é marcada pela falta de apoio familiar e institucional. A delegada Ângela Santos, da Delegacia Especial de Repressão aos Crimes contra a Pessoa Idosa (Decrin), enfatiza que as violências frequentemente ocorrem no ambiente doméstico, sendo perpetradas por familiares próximos. Essa violência não se limita ao abandono físico, mas inclui humilhações, desvio de aposentadorias e negligência em cuidados médicos.

Um caso recente, ocorrido em junho na Asa Sul, ilustra essa problemática. Câmeras de segurança registraram um filho agredindo o pai de oitenta e cinco anos com um soco no rosto. O agressor foi indiciado por expor o idoso a perigo e humilhação, podendo enfrentar até seis anos de reclusão e multa. A delegada Santos alerta que filhos, netos e cônjuges estão entre os principais agressores, tornando a identificação de tais crimes ainda mais complexa.

Os crimes mais comuns contra idosos incluem maus-tratos, abandono e violência patrimonial. A dependência emocional pode abrir portas para outras formas de violência, como a física. Muitas vezes, a denúncia não parte da vítima, que pode sentir medo ou vergonha. A delegada reforça a importância da vigilância da comunidade, pedindo que vizinhos denunciem casos de violência contra idosos que presenciem.

O Estatuto do Idoso assegura direitos fundamentais, como acesso à saúde e dignidade, mas sua efetivação depende da disseminação de informações e da criação de uma rede de apoio. O advogado Rubens Pires destaca que o envelhecimento não torna os idosos frágeis, mas a falta de suporte familiar e comunitário pode torná-los vulneráveis a golpes, incluindo os virtuais, que têm se tornado cada vez mais comuns.

Além das violências físicas e patrimoniais, as agressões afetam a saúde emocional dos idosos, levando a um aumento do isolamento social. A psicóloga Isadora Araújo alerta que esse isolamento pode esconder violências ainda mais graves. O acolhimento psicológico é essencial para que os idosos encontrem um espaço de escuta e diálogo. A união da sociedade civil pode ser fundamental para apoiar iniciativas que promovam a proteção e o bem-estar dos idosos, garantindo que suas vozes sejam ouvidas e respeitadas.

Correio Braziliense
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