Saúde e Ciência

Brasil é o país mais ansioso do mundo, revela psicólogo Alexandre Coimbra Amaral em entrevista

Brasil lidera o ranking mundial de transtornos de ansiedade, com aumento de 200% desde 2019. Alexandre Coimbra Amaral critica a visão simplista que culpa as telas e destaca desigualdade e precarização do trabalho como causas centrais.

Atualizado em
April 22, 2025
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Joédson Alves

O Brasil é o país com a maior prevalência de transtornos de ansiedade no mundo, com um aumento de mais de 200% nos casos de Transtorno de Ansiedade Generalizada entre 2019 e 2023, conforme dados do Ministério da Saúde. Alexandre Coimbra Amaral, psicólogo e autor do livro Toda Ansiedade Merece um Abraço, critica a visão que atribui a ansiedade apenas ao uso excessivo de telas. Ele argumenta que fatores sociais, como desigualdade e precarização do trabalho, são as verdadeiras causas desse problema de saúde pública.

Durante uma entrevista no podcast Pauta Pública, Amaral destacou que a ansiedade no Brasil não pode ser vista apenas como um sintoma individual, mas como um reflexo de uma realidade social complexa. Ele afirma que muitos brasileiros vivem com a incerteza sobre suas condições de vida, como a falta de dinheiro para alimentação e a insegurança no trabalho. Essa situação gera um estado constante de ansiedade, que vai além do que pode ser tratado apenas com terapia ou medicamentos.

Amaral enfatiza que a saúde mental deve ser discutida em um contexto mais amplo, envolvendo políticas públicas que abordem questões como saneamento básico, emprego e desigualdade social. Ele compara a ansiedade a uma goteira que, ao longo do tempo, enche um balde até que ele transborde, simbolizando o acúmulo de estresse e pressão que muitos enfrentam diariamente. Essa perspectiva amplia a compreensão sobre a saúde mental, mostrando que é um problema coletivo e não apenas individual.

O psicólogo também propõe um novo olhar sobre a ansiedade, sugerindo que ela deve ser acolhida como uma emoção natural. Amaral defende que, em vez de tentar controlar a ansiedade, as pessoas devem aprender a dialogar com ela. Essa abordagem contrasta com a tendência atual de tratar a ansiedade de forma individualista, onde a solução é buscar práticas isoladas, como mindfulness ou yoga, sem considerar o contexto social que contribui para o sofrimento.

Amaral observa que a sociedade contemporânea vive uma "ressaca da modernidade", onde a frustração com os desejos coletivos se transforma em um individualismo exacerbado. Ele critica a ideologia que responsabiliza o indivíduo pelo seu sucesso, o que resulta em um isolamento emocional e social. Essa dinâmica é explorada por grupos políticos que utilizam o medo como ferramenta de controle, criando um ambiente propício para a disseminação de ideologias extremistas.

Em um cenário onde a ansiedade é uma característica cultural, Amaral sugere que a solução deve ser coletiva. A união da sociedade pode ser fundamental para enfrentar os desafios impostos pela desigualdade e pela precarização do trabalho. Projetos que promovem o acolhimento e a saúde mental são essenciais e merecem apoio. A mobilização da sociedade civil pode fazer a diferença na vida de muitos que enfrentam a ansiedade e suas consequências.

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