Meio Ambiente

Brasil enfrenta desafios na reciclagem de resíduos da construção civil e busca alternativas sustentáveis

A produção de concreto no Brasil gera 6,4% das emissões de gases do efeito estufa, e a falta de separação de resíduos da construção civil limita a reciclagem a apenas 30%. Jundiaí é um exemplo positivo de gestão.

Atualizado em
June 12, 2025
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Concreto ainda é largamente usado no Brasil Imagem: ungvar/Shutterstock via Olhar Digital

A produção de concreto é responsável por aproximadamente 8% das emissões de carbono no mundo. No Brasil, o setor industrial, que abrange a produção de cimento e aço, contribui com 6,4% das emissões de gases do efeito estufa, conforme dados do Inventário Nacional de Gases do Efeito Estufa, publicado pelo Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovações em 2022. Essas emissões decorrem dos processos produtivos e do uso de combustíveis como matéria-prima.

O uso de concreto é tradicional no Brasil, com mais de 100 anos de história. Embora o aço, especialmente na técnica de "steel frame", seja uma alternativa menos impactante, sua adoção ainda é limitada. Outras opções, como a madeira, são comuns em países como os Estados Unidos. Há também propostas inovadoras, como a mistura de isopor ao cimento, que, no entanto, dificultam a reciclagem dos resíduos gerados na construção.

Levi Torres, coordenador da Associação Brasileira para Reciclagem de Resíduos da Construção Civil e Demolição (Abrecon), destaca que o maior desafio no Brasil é a falta de separação adequada dos materiais nas obras. Essa prática não apenas melhora a segurança e a limpeza do ambiente de trabalho, mas também pode gerar uma economia de 20% nos custos de triagem e reciclagem.

Atualmente, cerca de 70% dos resíduos da construção civil são descartados de forma irregular em lixões, apesar de existirem 700 locais para descarte correto. Uma regulamentação de 2002 já exige que as empresas façam a separação e reciclagem, mas a falta de aplicação em nível municipal e estadual compromete sua eficácia. A pesquisa da Abrecon de 2022 revela que apenas 30% dos resíduos gerados são reciclados.

Um exemplo positivo é a cidade de Jundiaí, em São Paulo, onde a prefeitura implementou uma política eficaz de reciclagem, resultando em quase total aproveitamento dos entulhos. Essa abordagem não só é sustentável, mas também gera economia, com a produção de materiais reciclados sendo 50% mais barata que os convencionais. Nos primeiros meses de 2022, Jundiaí economizou mais de R$ 350 mil com a reciclagem de resíduos.

As iniciativas de reciclagem e a correta separação de resíduos são fundamentais para reduzir o impacto ambiental da construção civil. A mobilização da sociedade civil pode ser crucial para apoiar projetos que visem a melhoria das práticas de reciclagem e a conscientização sobre a importância da separação dos resíduos. Essa união pode fazer a diferença na promoção de um futuro mais sustentável.

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