Saúde e Ciência

Células imunes do cérebro podem proteger contra obesidade induzida por dieta rica em gordura, revela estudo da Unicamp

Pesquisadores da Unicamp descobriram que células imunes externas, com receptor CXCR3, são recrutadas ao cérebro durante inflamação por dieta rica em gordura, ajudando a prevenir obesidade. A pesquisa revela novas possibilidades terapêuticas para tratar doenças metabólicas.

Atualizado em
May 8, 2025
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A inflamação no hipotálamo ocorre poucos dias após a ingestão excessiva de gordura e está associada ao desenvolvimento de doenças metabólicas (imagem: NIA/NIH)

Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) descobriram que células imunes externas, que expressam o receptor CXCR3, são recrutadas para o cérebro em resposta à inflamação causada por dietas ricas em gordura. Essa descoberta, publicada na revista eLife, revela um novo entendimento sobre como a inflamação no hipotálamo pode ser atenuada, contribuindo para a prevenção do ganho de peso e de doenças metabólicas, como a obesidade.

A pesquisa, realizada no Centro de Pesquisa em Obesidade e Comorbidades (OCRC), mostrou que a inflamação no hipotálamo ocorre rapidamente após a ingestão excessiva de lipídeos. As micróglias, células imunes residentes no cérebro, desempenham um papel crucial nesse processo, mas não são as únicas envolvidas. O estudo identificou que células imunes de fora do cérebro também são atraídas para a região durante a inflamação.

Natália Ferreira Mendes, pesquisadora da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, explicou que o recrutamento dessas células imunes externas parece ter um efeito benéfico. Elas ajudam as micróglias a controlar a inflamação e a evitar o desenvolvimento da obesidade. Experimentos demonstraram que, ao bloquear o recrutamento dessas células, os animais apresentaram aumento de peso e piora em marcadores metabólicos.

Os pesquisadores também notaram diferenças significativas entre machos e fêmeas no tipo de células imunes recrutadas, o que pode influenciar a resposta a dietas ricas em gordura. Essa variação sugere que o sistema imunológico pode reagir de maneira distinta em indivíduos de sexos diferentes, afetando o ganho de peso e a saúde metabólica.

A dieta utilizada no estudo é rica em gordura saturada, comum em alimentos de origem animal e em alguns vegetais. A ingestão elevada de gordura leva ao aumento de ácidos graxos livres no sangue, que rapidamente alcançam o hipotálamo, uma área do cérebro vulnerável a oscilações nas concentrações dessas substâncias. A ativação das micróglias é uma resposta inicial, mas, com o tempo, elas não conseguem controlar a inflamação sozinhas, necessitando do auxílio das células imunes recrutadas.

Os resultados abrem novas possibilidades para o desenvolvimento de tratamentos contra a obesidade e suas comorbidades, como diabetes tipo 2. A pesquisa também gerou um banco de dados genético que pode ser explorado por outros cientistas. Em situações como essa, a união da sociedade pode fazer a diferença, apoiando iniciativas que busquem entender e combater os efeitos das dietas modernas na saúde.

Agência FAPESP
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