Meio Ambiente

Chuvas intensas em janeiro de 2024 causam tragédia e devastação em Acari, no Rio de Janeiro

Chuvas intensas em janeiro de 2024 causaram o transbordamento do rio Acari, resultando em uma morte e danos a 20 mil casas. O projeto Retratos das Enchentes busca mapear os impactos nas periferias.

Atualizado em
August 19, 2025
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Alagamento em Acari, no Rio de Janeiro, deixou uma pessoa morta e 20 mil casas danificadas em janeiro de 2024 - Divulgação/Fala Akari

Em janeiro de 2024, chuvas intensas no Rio de Janeiro provocaram o transbordamento do rio Acari, resultando na morte de uma pessoa e danos a pelo menos 20 mil casas, conforme informações da associação de moradores. A assistente social Letícia Pinheiro, do Coletivo Fala Akari, destacou que as enchentes em Acari ocorrem de duas a três vezes por ano, mas a situação atual superou o que era considerado normal. Os moradores sentem os efeitos da crise climática, com enchentes cada vez mais frequentes e intensas.

O bairro de Acari, que abriga um complexo de favelas, participa do projeto Retratos das Enchentes, desenvolvido pelo Instituto Decodifica. Este projeto visa mapear os riscos e impactos das enchentes em áreas periféricas do Rio de Janeiro, Pernambuco e Maranhão. Dados do projeto Rio 60°, em parceria com a Universidade Federal Fluminense (UFF), revelam que 34% das 31,3 mil residências na região de Acari, Pavuna e Irajá estão em alta vulnerabilidade a enchentes.

A socióloga Iná Odara Cholodoski, envolvida na pesquisa, ressaltou a falta de dados de qualidade sobre os impactos das enchentes nas periferias, que são historicamente afetadas e cada vez mais expostas às mudanças climáticas. Ela afirmou que a ausência de informações é um dado em si, refletindo a falta de interesse público em debater a situação dessas comunidades. O projeto Retratos das Enchentes busca preencher essa lacuna por meio da geração cidadã de dados, onde os próprios moradores contribuem com informações.

A pesquisa é dividida em três etapas: grupos focais com lideranças locais, oficinas de cartografia social e aplicação de questionários nas comunidades. Durante as oficinas, os moradores identificaram pontos críticos de alagamento e locais de apoio comunitário, como igrejas e escolas, que servem como abrigo durante as enchentes. A socióloga do Instituto Decodifica enfatizou que a geração de dados não se limita ao sofrimento, mas também abrange as estratégias que as comunidades adotam diante da falta de ação do poder público.

Além de mapear riscos e soluções, o projeto ajuda os moradores a reconhecerem os impactos da crise climática e a diferenciarem os conceitos de enchente, alagamento e inundação. Anie Campelo, líder da Comissão Ambiental Jaboatão dos Guararapes, destacou a importância de aproximar essa temática da população periférica, que muitas vezes não tem acesso a essas informações e não compreende o racismo ambiental que enfrenta.

No bairro de Kennedy, em Nova Iguaçu, relatos sobre o impacto das enchentes na saúde dos moradores chamaram a atenção dos pesquisadores, que identificaram casos de doenças de pele agravadas pela exposição à água contaminada. A preservação da memória nas periferias é fundamental, segundo as lideranças comunitárias, pois os relatos da população trazem identidade local e percepção do morador. A união da sociedade civil pode ser crucial para apoiar iniciativas que visem mitigar os impactos das enchentes e promover a resiliência nas comunidades afetadas.

Folha de São Paulo
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