Saúde e Ciência

Cientistas brasileiros desenvolvem ferramenta para prever eficácia do natalizumabe em pacientes com esclerose múltipla

Pesquisadores brasileiros e franceses desenvolveram uma ferramenta que prevê a resposta ao tratamento com natalizumabe em esclerose múltipla, alcançando 92% de acurácia. Essa inovação pode melhorar a qualidade de vida dos pacientes e otimizar custos no SUS.

Atualizado em
August 7, 2025
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Estima-se que 2,8 milhões de pessoas têm a doença no mundo e 40 mil no Brasil. A maioria dos diagnósticos é de pessoas com 20 a 50 anos de idade, com ocorrência em mulheres duas a três vezes maior do que em homens (imagem: Lakshmiraman Oza/Pixabay)

Pesquisadores brasileiros, em colaboração com instituições da França, desenvolveram uma ferramenta inovadora que prevê a resposta ao tratamento com natalizumabe em pacientes com esclerose múltipla. Apesar de ser um dos medicamentos mais utilizados, cerca de 35% dos pacientes não apresentam resposta satisfatória ao tratamento, o que pode levar à recorrência dos sintomas após dois anos. O natalizumabe, um anticorpo monoclonal, é disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil, com custo médio de R$ 10 mil mensais por paciente.

A nova metodologia utiliza imagens de células e aprendizado de máquina, alcançando uma acurácia de 92% na predição da resposta clínica ao natalizumabe. Os pesquisadores analisaram mais de 400 características morfológicas das células T CD8+, identificando que a remodelação da actina está relacionada à eficácia do tratamento. Células que não respondem ao fármaco apresentam uma morfologia distinta, com maior capacidade de migração e menor perda de polaridade.

O estudo, publicado na revista Nature Communications, representa um avanço significativo em medicina de precisão, permitindo que tratamentos sejam mais direcionados e eficazes. Beatriz Chaves, primeira autora do artigo, destaca que essa abordagem pode melhorar a qualidade de vida dos pacientes, reduzindo efeitos colaterais e otimizando os gastos do SUS.

A pesquisa foi realizada com células sanguíneas de pacientes ainda não tratados, utilizando tecnologia de microscopia avançada para extrair informações detalhadas sobre a morfologia celular. A combinação de dados morfológicos com aprendizado de máquina possibilitou a identificação de padrões que podem prever a resposta ao tratamento, um passo importante para a personalização da terapia.

Os pesquisadores pretendem expandir o estudo, buscando validar os resultados com um número maior de amostras, incluindo pacientes de diferentes regiões. Além disso, há interesse em aplicar a metodologia a outras doenças, como a terapia CAR-T para câncer, ampliando o impacto da pesquisa na área da saúde.

Iniciativas como essa são fundamentais para a evolução do tratamento de doenças complexas. A união da sociedade civil pode ser um motor para apoiar projetos que visem a melhoria da saúde e bem-estar de pacientes com esclerose múltipla e outras condições. Juntos, podemos contribuir para um futuro onde tratamentos mais eficazes e acessíveis sejam uma realidade para todos.

Agência FAPESP
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