Saúde e Ciência

Cientistas desenvolvem nova abordagem contra melanoma utilizando luz, bactérias e sistema imunológico

Pesquisadores do IFSC e da Texas A&M University descobriram que a combinação de luz, bactérias e células do sistema imune potencializa a terapia fotodinâmica no combate ao melanoma. O estudo revela que a interação entre esses elementos melhora a resposta imune, aumentando a eficácia do tratamento. A pesquisa, publicada na revista Photodiagnosis and Photodynamic Therapy, abre novas possibilidades para terapias contra o câncer, com experimentos em modelos animais já em planejamento.

Atualizado em
May 28, 2025
Clock Icon
3
min
Mulher loira, de costas, é examinada com uma lupa segurada por uma mão com luva azul, que focaliza quistos na pele - Fonte: USP Imagens

Pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da Universidade de São Paulo e da Texas A&M University, nos Estados Unidos, descobriram uma nova abordagem para combater o melanoma, um dos tipos mais agressivos de câncer de pele. A pesquisa, publicada na revista Photodiagnosis and Photodynamic Therapy, revela que a combinação de luz, bactérias e células do sistema imunológico pode potencializar a resposta imune contra essa doença.

A terapia fotodinâmica (TFD) já é conhecida por utilizar fotossensibilizadores ativados por luz para eliminar células doentes. No entanto, os cientistas foram além, criando um modelo celular que simula o microambiente tumoral. Nesse modelo, foram introduzidas células de melanoma, macrófagos (células de defesa) e a bactéria Escherichia coli.

Os resultados mostraram que, sob a influência da luz e do fotossensibilizador, os macrófagos "acordaram", aumentando sua capacidade de identificar e destruir células cancerígenas. A pesquisadora Barbara Detweiler, autora principal do estudo, destacou que a presença simultânea de todos os componentes foi crucial para a eficácia do tratamento.

Outro achado importante foi que a ordem de introdução dos componentes impacta diretamente os resultados. Quando os macrófagos foram expostos à luz antes da infecção bacteriana, a eficácia do tratamento diminuiu. Em contraste, a exposição simultânea potencializou a resposta imune, possivelmente devido à liberação de substâncias químicas pela bactéria que sinalizam o sistema imunológico.

O professor Vanderlei Salvador Bagnato, coautor do estudo, enfatizou a importância de simular a complexidade do ambiente tumoral para desenvolver tratamentos mais eficazes. Embora os experimentos tenham sido realizados in vitro, eles oferecem uma base promissora para futuras pesquisas em modelos animais e, eventualmente, em humanos.

A ideia de utilizar bactérias inativadas ou modificadas para estimular o sistema imunológico representa uma abordagem inovadora, resgatando conceitos da imunoterapia do século dezenove. Projetos como esse devem ser estimulados pela sociedade civil, pois a união pode ajudar a transformar essas descobertas em tratamentos eficazes para o câncer.

Jornal da USP - Saúde
Quero ajudar

Leia mais

Brasil carece de equipamentos PET-CT para diagnóstico precoce; estudo aponta necessidade de 512 novos aparelhos
Saúde e Ciência
Clock Icon
3
min
Brasil carece de equipamentos PET-CT para diagnóstico precoce; estudo aponta necessidade de 512 novos aparelhos
News Card

Brasil carece de equipamentos PET-CT; estudo revela necessidade de 512 unidades. Um estudo recente destaca a grave escassez de equipamentos de diagnóstico PET-CT no Brasil, onde apenas 119 unidades atendem a uma população de 212 milhões. A pesquisa, conduzida por especialistas em tecnologia, aponta que 110 milhões de brasileiros estão sem acesso a esses serviços essenciais, especialmente nas regiões Norte e em áreas carentes. A análise revela que, mesmo com a adição de novos equipamentos, mais de 15 milhões de pessoas ainda ficariam desassistidas devido à desigualdade geográfica.

Câncer colorretal deve crescer 21% no Brasil até 2040, alertam especialistas da Fundação do Câncer
Saúde e Ciência
Clock Icon
3
min
Câncer colorretal deve crescer 21% no Brasil até 2040, alertam especialistas da Fundação do Câncer
News Card

Estudo da Fundação do Câncer prevê aumento de 21% nos casos de câncer colorretal no Brasil entre 2030 e 2040, atingindo principalmente pessoas acima de 50 anos. O envelhecimento populacional e hábitos inadequados são os principais fatores.

Avanços na vacinação contra a COVID-19 enfrentam desafios com novas variantes do SARS-CoV-2
Saúde e Ciência
Clock Icon
3
min
Avanços na vacinação contra a COVID-19 enfrentam desafios com novas variantes do SARS-CoV-2
News Card

Estudo da Universidade de São Paulo propõe a vacina BCG como vetor para antígenos do SARS-CoV-2, visando uma resposta imunológica mais duradoura contra novas variantes do coronavírus. A pesquisa destaca a necessidade de vacinas mais robustas, já que as variantes, como a ômicron, têm desafiado a eficácia dos imunizantes atuais.

Governo brasileiro investe R$ 959 milhões na compra do Zolgensma para tratar atrofia muscular espinhal
Saúde e Ciência
Clock Icon
4
min
Governo brasileiro investe R$ 959 milhões na compra do Zolgensma para tratar atrofia muscular espinhal
News Card

O Brasil incorporou o Zolgensma ao SUS para tratar a atrofia muscular espinhal em crianças, com investimento de R$ 959 milhões e monitoramento por cinco anos. O tratamento, considerado o mais caro do mundo, atenderá 137 pacientes com AME tipo 1, priorizando crianças até seis meses. As primeiras aplicações ocorreram em Brasília e Recife, com acompanhamento clínico rigoroso.

Ptofobia: o medo de cair que limita a vida de idosos e aumenta o risco de quedas
Saúde e Ciência
Clock Icon
4
min
Ptofobia: o medo de cair que limita a vida de idosos e aumenta o risco de quedas
News Card

Cerca de 40% a 70% dos idosos que já caíram desenvolvem ptofobia, um medo intenso de cair, que limita suas atividades e aumenta o risco de novas quedas, exigindo atenção médica e intervenções adequadas.

Crianças com malformações congênitas enfrentam invisibilidade e desinformação no sistema de saúde brasileiro
Saúde e Ciência
Clock Icon
3
min
Crianças com malformações congênitas enfrentam invisibilidade e desinformação no sistema de saúde brasileiro
News Card

Crianças com malformações congênitas no Brasil enfrentam negligência devido à desinformação em saúde e à falta de reconhecimento da cirurgia craniomaxilofacial como prioridade. A escassez de profissionais qualificados e a ausência de protocolos adequados agravam a situação, resultando em atrasos no atendimento e sofrimento desnecessário. A cirurgiã Clarice Abreu destaca a urgência de campanhas informativas e valorização dessa especialidade no Sistema Único de Saúde (SUS).