Impacto Social

COP 30: especialistas discutem captação de US$ 300 bilhões anuais para financiamento climático até 2035

O seminário "Financiamento climático" em São Paulo abordou estratégias para arrecadar US$ 300 bilhões anuais até 2035, enfatizando a agenda climática como motor de desenvolvimento econômico. Especialistas destacaram a necessidade de engajamento do setor privado e a criação de mecanismos financeiros para escalar investimentos.

Atualizado em
August 21, 2025
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Evento promovido pelos jornais O GLOBO, e Valor, e rádio CBN, discutiu a captação de recursos para projetos sustentáveis — Foto: Maria Isabel Oliveira/O Globo

Na COP 29, realizada em Baku, foi estabelecido um compromisso de arrecadar US$ 300 bilhões por ano para o financiamento climático até 2035. O seminário "Financiamento climático", realizado em São Paulo, abordou estratégias para alcançar essa meta, enfatizando a necessidade de integrar a agenda climática ao desenvolvimento econômico e o engajamento do setor privado.

O painel "Como alcançar a marca de US$ 300 bilhões de financiamento climático por ano até 2035" contou com a presença de especialistas como Rafael Ramalho Dubeux, secretário-executivo adjunto do Ministério da Fazenda, e Ivy Figueroa, senior investment officer da International Finance Corporation (IFC). Dubeux destacou que não há uma solução única para a captação de recursos, mas diversas iniciativas estão sendo implementadas, como a criação de fundos de investimento e a regulação do mercado de carbono.

Segundo Dubeux, a agenda climática deve ser encarada como uma oportunidade de desenvolvimento econômico, capaz de gerar empregos e melhorar a qualidade de vida. Ele mencionou iniciativas como o Tropical Forest Forever Facility (TFFF), que busca captar recursos por meio de investimentos, e a implementação do mercado doméstico de carbono, que estabelece um teto para emissões e precificação desse ativo.

A diretora-executiva do Instituto Clima e Sociedade (ICS), Maria Netto, reforçou que a agenda climática deve ser vista como uma oportunidade e não como um custo. Ela argumentou que, embora a cifra de US$ 1,3 trilhão pareça elevada, os recursos podem ser obtidos de fontes de financiamento globais. Netto também destacou a importância de criar mecanismos financeiros que escalem os investimentos, reduzindo a dependência de recursos governamentais.

Ivy Figueroa, da IFC, enfatizou a necessidade de escalar a captação de recursos e citou exemplos de sucesso, como um banco colombiano que emitiu títulos para financiar a agricultura sustentável. Ela mencionou que, no ano fiscal de 2024, a IFC aplicou US$ 9 bilhões em projetos, mobilizando o dobro desse valor para investimentos em diversas iniciativas.

Marina Grossi, presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), defendeu que o setor privado deve se tornar protagonista na COP 30, com iniciativas mensuráveis que impactem a vida das pessoas. Ela ressaltou que o Brasil possui riquezas como florestas e bioeconomia, mas os investimentos ainda não estão sendo canalizados adequadamente. Nesse contexto, a união da sociedade civil pode ser fundamental para impulsionar projetos que promovam a sustentabilidade e a geração de empregos.

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